Os auditores fiscais federais agropecuários, essenciais para a supervisão da segurança alimentar e qualidade agropecuária do Brasil, aprovaram um indicativo de greve que entra em vigor nesta quarta-feira (8). A decisão, que foi apoiada por 84% dos votantes em uma assembleia sindical realizada na última terça-feira, é uma resposta direta à falta de avanço nas negociações para a reestruturação da carreira desses profissionais com o Poder Executivo.
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Agropecuários (Anffa Sindical) comunicou que, além da greve, os auditores implementarão uma operação padrão nas fiscalizações de frigoríficos e nas inspeções de mercadorias nos portos destinadas à exportação e importação. Essa medida é uma tentativa de pressionar o governo para retornar à mesa de negociações, conforme planejado para os próximos dias, quando será entregue uma contraproposta ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
"Estamos comprometidos em manter os padrões de segurança alimentar e zelar pela qualidade dos produtos agropecuários que representam uma parte significativa da economia brasileira," afirmou um porta-voz do Anffa. "No entanto, é crucial que nossas condições de trabalho e nossa carreira sejam valorizadas e melhoradas para continuarmos desempenhando nosso papel com excelência."
Apesar do cenário de greve, o sindicato assegurou que os auditores manterão o cumprimento dos prazos estabelecidos pelas normativas vigentes para a liberação de certificados e produtos, mas alertou para possíveis atrasos devido à operação padrão.
A mobilização dos auditores no Rio Grande do Sul, no entanto, foi temporariamente suspensa devido à situação de calamidade pública causada por severas inundações no estado. Lá, os profissionais estão focados em uma força-tarefa para garantir o abastecimento de alimentos para as áreas afetadas.
Esta ação sindical dos auditores fiscais agropecuários federais reflete a tensão crescente entre o setor público e o governo sobre as condições de trabalho e poderá ter repercussões significativas na balança comercial do Brasil, especialmente em um momento em que a economia nacional depende fortemente do setor agroexportador.

