As férias escolares e os ventos típicos desta época do ano aumentam a prática de empinar pipas, mas também elevam os riscos de acidentes e interrupções no fornecimento de energia. Levantamento obtido pelo Pix News junto à Energisa mostra que, entre janeiro e junho de 2026, foram registradas 59.327 ocorrências relacionadas a pipas na rede elétrica na área de concessão da distribuidora, afetando o fornecimento de energia para 2,2 milhões de clientes.
No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 66.316 ocorrências, que impactaram cerca de 2,3 milhões de consumidores. Embora os números indiquem uma redução de 10,54% nas ocorrências, a concessionária destaca que o volume continua alto e exige atenção da população.
Segundo o coordenador de Segurança da Energisa, João Ricardo, o alerta deve ser permanente, já que os prejuízos vão além do desconforto causado pela falta de energia.
"Além de residências e estabelecimentos comerciais, as interrupções podem comprometer o funcionamento de serviços essenciais, como hospitais, unidades de saúde, forças de segurança e demais órgãos que dependem do fornecimento contínuo de energia", destaca.
Cenário nacional preocupa distribuidoras
O alerta não é exclusivo de Mato Grosso do Sul. Em diversas regiões do país, distribuidoras de energia têm registrado aumento ou manutenção de elevados índices de interrupções provocadas por pipas presas na rede elétrica, especialmente durante o período de férias escolares.
Na área de concessão da CPFL Paulista, por exemplo, as interrupções causadas por pipas cresceram 6,5% entre janeiro e maio de 2026, passando de 1.746 para 1.859 ocorrências na comparação com o mesmo período de 2025.
Campinas liderou o número de registros, com 277 ocorrências, alta de 11% em relação ao ano anterior. Outras cidades também apresentaram crescimento expressivo, como Sumaré, com aumento de 33%, e Hortolândia, onde os casos saltaram 63%.
Segundo o gerente de Saúde e Segurança da CPFL Energia, Raphael Campos, soltar pipas é uma brincadeira tradicional, mas torna-se extremamente perigosa quando praticada próximo à rede elétrica ou com o uso de materiais cortantes.
"Nosso objetivo é conscientizar a população para que a diversão não se transforme em acidentes ou na interrupção do fornecimento de energia para milhares de pessoas", afirmou.
Risco vai além da falta de energia
A CPFL alerta que o contato de pipas com a rede elétrica pode provocar curtos circuitos, rompimento de cabos e desligamentos de grandes áreas. O perigo aumenta quando a linha utilizada é revestida com cerol ou linha chilena, materiais proibidos por lei devido ao alto poder de corte.
Além dos danos à rede elétrica, esses materiais representam uma ameaça direta a motociclistas, ciclistas e pedestres. Todos os anos são registrados acidentes graves e mortes provocados pelo uso dessas linhas.
Outro risco ocorre quando pessoas tentam recuperar pipas presas na rede elétrica. A aproximação de fios energizados pode provocar choques fatais, mesmo sem contato direto com os cabos.
Como brincar com segurança
Para reduzir os riscos, a Energisa orienta que a população siga algumas recomendações:
- Empine pipas apenas em locais abertos, longe da rede elétrica.
- Nunca tente retirar pipas presas em fios, postes ou transformadores, nem utilizando objetos.
- Não utilize cerol ou linha chilena, materiais proibidos por lei.
- Oriente as crianças a não subir em árvores próximas à rede elétrica.
- Mantenha distância de postes, transformadores e demais equipamentos elétricos.
- Nunca solte balões, pois além de crime ambiental, eles podem provocar curtos circuitos e interrupções no fornecimento de energia.
- Em caso de fios caídos, mantenha distância, não toque nos cabos e comunique imediatamente a distribuidora.
A concessionária Energisa reforça que medidas simples são suficientes para evitar acidentes graves e garantir que a brincadeira continue sendo uma diversão segura durante o período de férias escolares.


