Em um esforço para resgatar o boi pantaneiro da iminência da extinção, nasceram os primeiros bezerros da raça através de um método de fertilização in vitro. A iniciativa é uma colaboração entre a ONG Onçafari e a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), que já resultou no nascimento de 29 bezerros desde o último sábado.
O projeto visa reverter a drástica diminuição na população desses animais, que caiu de 3 milhões para apenas 500 nos últimos 50 anos. Utilizando novilhas da raça Nelore como barrigas de aluguel, o programa conseguiu até agora produzir 450 embriões, dos quais 125 resultaram em gestações bem-sucedidas.
Os bezerros nascidos pesam em média 32 quilos, superando o peso típico de nascimento da raça que fica entre 18 e 28 quilos. "Estamos estabelecendo dois lotes de bezerros: um gerado por mães Nelore e outro de meio sangue. Esses se somarão a um rebanho de 30 pantaneiros puros, reproduzidos naturalmente", explica Marcus Vinicius Morais de Oliveira, gestor do projeto na UEMS.
Os animais serão monitorados até o desmame aos 10 meses, com o objetivo de integrá-los ao rebanho maior que vive em liberdade. A ideia é que eles contribuam para a sustentabilidade do ecossistema pantaneiro, controlando a biomassa vegetal e diminuindo os riscos de incêndios.
O boi pantaneiro se destaca por sua resistência e adaptação ao ambiente úmido do Pantanal, além de possuir características únicas como a defesa contra predadores naturais, como as onças pintadas. A habilidade dos bois em proteger seus filhotes e até mesmo camuflar-se no ambiente são traços que aumentam suas chances de sobrevivência.
Além dos aspectos ecológicos, o projeto também tem um componente de conservação da biodiversidade, crucial para a preservação do Pantanal.

