O cenário industrial de Mato Grosso do Sul pode receber um significativo impulso com a instalação de uma nova planta de celulose, proposta pela multinacional Portucel Moçambique. Os municípios de Figueirão e Alcinópolis estão sob consideração para sediar o projeto, que pode consolidar o estado como um dos principais polos de produção de celulose no Brasil.
A atração da Portucel para o estado deve-se não apenas aos incentivos fiscais oferecidos pelo governo local, mas também pela estratégica rota de escoamento que favorece a exportação. Esse empreendimento viria a se somar às quatro instalações já operantes no estado, numa região já apelidada de Vale da Celulose.
Especialistas da área econômica veem essa possível instalação como um potencial catalisador para o crescimento econômico regional. "Investimentos dessa magnitude são capazes de gerar uma significativa quantidade de empregos, estimulando toda a economia local", pontua Eduardo Matos, economista consultado pelo Correio do Estado. Matos também destaca o potencial de incremento nas receitas fiscais e o estímulo ao comércio e serviços locais.
A instalação da nova planta não apenas propõe avanços em termos de produção. "Estamos falando também de avanços em tecnologias ambientais e práticas de manejo sustentável, que são essenciais para assegurar a sustentabilidade a longo prazo da indústria e da região", explica o Dr. Leandro Tortosa, doutor em Administração.
A Portucel tem explorado alternativas para expansão na América Latina e África desde 2009, com planos de instalação debatidos não só no Brasil, mas também no Uruguai e Moçambique. A empresa busca locais que não apenas suportem a logística de produção e escoamento, mas que também ofereçam condições favoráveis de mercado e legislação.
Além do impacto direto na economia e no mercado de trabalho, o projeto poderia ter um efeito multiplicador. "A chegada de uma grande planta industrial incentiva a criação e expansão de empresas auxiliares e de infraestrutura, criando um ecossistema industrial mais robusto e diversificado", afirma Jaime Verruck, titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Com uma capacidade instalada que já se aproxima de 5 milhões de toneladas anuais de celulose, e projetos em vista que prometem elevar esse número significativamente, Mato Grosso do Sul se destaca como um gigante emergente na indústria de papel e celulose, preparado para competir no mercado global.

