O avanço do plantio do milho safrinha em Mato Grosso do Sul atingiu 77% da área total estimada, marcando um progresso significativo na agricultura do estado. No entanto, os produtores enfrentam desafios climáticos que ameaçam o ciclo 2023/2024. Especialistas alertam para a possibilidade do fenômeno La Niña, que poderia trazer atrasos nas chuvas e até mesmo períodos de seca, impactando negativamente a produção de milho safrinha. Este fenômeno contrasta com o anterior, El Niño, que recentemente afetou o Brasil com secas históricas.
O pesquisador agrometeorologista Éder Comunello, da Embrapa Agropecuária Oeste, destaca os possíveis efeitos diretos do La Niña devido às altas temperaturas observadas. Após o fim do El Niño, espera-se uma fase neutra e a subsequente instalação do La Niña, que traz consigo o resfriamento das águas do Oceano Pacífico, potencialmente atrasando as chuvas na Região Centro-Oeste.
A previsão para a segunda safra de milho é desfavorável, com uma queda estimada na área cultivada e na produção. A Associação de Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul estima uma redução de 6% na área plantada e uma diminuição de 14% na produção em comparação com o ciclo anterior.
Apesar desses desafios, o plantio do milho safrinha já atingiu 77% da área total estimada, com destaque para o avanço na região norte do estado. A escassez hídrica e as chuvas irregulares no final do ano passado influenciaram esse cenário, resultando em uma janela mais favorável ao plantio antecipado do milho.
Enquanto isso, o El Niño, embora ainda esteja presente no estado, está perdendo força, conforme observado pelo pesquisador Comunello. Espera-se que seus efeitos diminuam nos próximos meses, embora possam ser sentidos até abril ou maio. Este ciclo climático, caracterizado por uma interação complexa entre ventos, correntes oceânicas e atmosfera, tem impactos variáveis que podem durar de dois a sete anos.

