Uma delegação brasileira, composta por representantes do governo e do setor produtivo, está em Bruxelas, na Bélgica, para discutir a gestão ambiental e sustentável do agronegócio brasileiro em face da regulamentação europeia. O foco principal das conversas é o European Union Deforestation-Free Regulation (EUDR), ou Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento da União Europeia, que visa proibir a importação e o comércio de produtos derivados de commodities provenientes de áreas de floresta desmatadas após 31 de dezembro de 2020.
O secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), juntamente com Artur Falcette, secretário-executivo de Meio Ambiente da mesma secretaria, iniciaram o diálogo com autoridades da Comissão Europeia e membros do Parlamento Europeu para abordar os impactos e a implementação do EUDR.
Em reunião com o deputado Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, na Embaixada do Brasil na União Europeia, Verruck expressou preocupações sobre o prazo estabelecido e a viabilidade da cadeia de custódia e rastreabilidade necessárias para atender às exigências da nova legislação europeia.
Dados apresentados pelo setor indicam que apenas uma pequena parcela das florestas plantadas brasileiras teve desmatamento após 2020, menos de 1% do total. No entanto, a implementação da norma é o ponto central das discussões, destacando a necessidade de reconhecimento dos dados gerados no Brasil, especialmente em relação à rastreabilidade.
Além disso, há preocupações com a segurança dos dados a serem compartilhados com as autoridades europeias, principalmente considerando os aspectos comerciais envolvidos. A discussão é vista como fundamental para o estado de Mato Grosso do Sul, dada a relevância do setor florestal e os potenciais impactos nas indústrias de carne e soja.

