Após quase dois meses de baixas consecutivas, o mercado da soja em Mato Grosso do Sul mostrou sinais de reação na última semana, com os preços apresentando uma ligeira recuperação. Em Campo Grande, onde o valor da saca de 60 quilos chegou a atingir R$ 94,50 no final de janeiro, registrou-se um aumento para R$ 102,50 no início de fevereiro, representando uma alta de 8,5%.
Entretanto, mesmo com essa leve ascensão, quando comparados aos preços praticados no início de dezembro, quando a saca era cotada a R$ 132,00 na capital, observa-se uma queda significativa de 22,4%. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a diferença é ainda mais expressiva, chegando a 35%.
Essa tendência de recuperação nos preços é observada em todo o estado. Segundo dados da Granos Corretora, no final de janeiro, apenas em Dourados o preço da saca permanecia em R$ 100,00, enquanto nos demais municípios estava abaixo desse valor. Contudo, na última terça-feira, somente em São Gabriel do Oeste e Sonora os preços ainda se mantinham abaixo desse patamar, com Dourados já registrando um aumento para R$ 104,00.
Essa leve reação do mercado é atribuída, em parte, a uma possível redução na safra tanto no Brasil quanto na Argentina, esta última enfrentando uma nova estiagem nas últimas semanas. Desde junho de 2020, o preço da soja em Mato Grosso do Sul permanecia abaixo dos R$ 100,00, chegando a atingir R$ 206,00 durante esse período.
No entanto, o aumento nos preços provocou uma corrida dos agricultores em busca de lucro, resultando em uma oferta elevada e consequente queda nos preços. Segundo Carlos Ronaldo Dávalo, da Granos Corretora, a atual cotação da soja veio para se estabelecer, com poucas perspectivas de melhoria considerável nos preços no curto prazo.
Apesar das chuvas escassas desde outubro do ano passado, a previsão da Aprosoja indica que nesta safra devem ser colhidas 13,8 toneladas de soja no estado, com uma produtividade média de 54 sacas por hectare. No entanto, a produtividade tende a ser menor do que nos últimos anos, com relatos de diminuição do potencial produtivo em algumas regiões.
À medida que a colheita avança e o mercado percebe a redução na oferta de produto, os preços podem continuar reagindo positivamente, conforme destacam os analistas.

