O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil nesta terça-feira (27) e está a caminho dos Estados Unidos, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. A saída foi noticiada inicialmente pelo portal Metrópoles e depois confirmada por aliados do senador e por fontes ligadas à Polícia Federal ouvidas por diferentes veículos de imprensa.
A viagem acontece dois dias depois de Flávio ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial e um dia após o senador afirmar publicamente que não pretendia deixar o país.
Passaportes cancelados
Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal em um processo por lavagem de dinheiro, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Na segunda-feira (26), Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal em até 24 horas.
Em vídeo nas redes sociais, Flávio classificou a decisão como uma tentativa de intimidação, mas disse que cumpriria a ordem. O prazo terminou pouco depois das 11h desta terça sem que os documentos fossem apresentados. Diante do descumprimento, a PF cancelou o passaporte comum e o diplomático do senador e informou que vai comunicar o caso a Moraes.
O cancelamento, no entanto, não impede necessariamente a entrada em outro país. Flávio pediu o reconhecimento da cidadania italiana em 2019 e obteve passaporte da Itália em 2023, o que pode ter facilitado a viagem.
Rota ainda é incerta
Como o senador saiu do Brasil ainda é um mistério. A PF não encontrou registro de saída por postos oficiais de controle migratório, e as autoridades da Argentina afirmaram não haver registro de entrada dele no país vizinho.
A primeira versão, publicada pelo portal argentino Infobae, apontava para uma travessia entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina, de onde Flávio seguiria para os Estados Unidos em um jato particular Gulfstream G400, da empresa de aviação executiva Baires Fly. O avião, porém, não decolou no horário previsto, na madrugada desta terça. Segundo a imprensa argentina, o voo foi suspenso porque não foram apresentados o plano de voo e a lista definitiva de passageiros, e a aeronave segue no aeroporto de Puerto Iguazú.
Ao jornal Folha de S.Paulo, o piloto Mauro Mattosinho afirmou ter visto o nome de Flávio na lista de passageiros. Já o jornal argentino Clarín informou que o avião não decolou porque um dos passageiros teria apresentado um “problema”. A Direção Nacional de Migrações da Argentina disse ter iniciado verificações sobre a aeronave e a tripulação.
A ausência de registros oficiais levanta a hipótese de que o senador tenha cruzado a fronteira por uma passagem não oficial. Nos bastidores, também se fala em uma possível saída por Roraima, com passagem por Caracas, na Venezuela, caminho semelhante ao usado pelo ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que hoje vive nos Estados Unidos. Não há confirmação de nenhuma das rotas. A PF acionou as autoridades argentinas e faz diligências para esclarecer o trajeto.
Aliados negaram pela manhã
A notícia provocou desencontro entre aliados e advogados do senador. Durante a manhã, pessoas próximas à família negaram que ele tivesse deixado o país. O irmão, Eduardo Bolsonaro, chegou a ironizar a informação, e o coordenador da campanha presidencial, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que Flávio continuava no Brasil. Somente no início da tarde aliados passaram a confirmar que ele estava a caminho dos Estados Unidos. Flávio nega as acusações que motivaram a investigação no STF.

