A presença de lesmas e caracóis em lavouras de Mato Grosso do Sul acende um alerta para os produtores de soja na safra 2026/2027. A equipe de campo da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) identificou a ocorrência desses organismos nas regiões Oeste, Sul e Norte do estado e recomenda monitoramento desde a semeadura.
De acordo com o Informativo Técnico 07/2026 da entidade, as principais espécies registradas em lavouras de grãos em Mato Grosso do Sul são o caracol Drymaeus interpunctus e a lesma Sarasinula linguaeformis. Os dois organismos podem danificar as plantas, especialmente durante a germinação e a emergência da soja, fases em que a cultura ainda apresenta capacidade limitada de recuperação.
Segundo o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, o ataque pode comprometer o estabelecimento da lavoura e reduzir a população de plantas por hectare.
Umidade e palhada favorecem lesmas e caracóis
Lesmas e caracóis preferem ambientes úmidos e sombreados. Por isso, a atividade desses organismos tende a aumentar após as chuvas, em períodos de alta umidade e temperaturas amenas.
Durante o dia, eles podem ficar escondidos sob a palhada, em fendas no solo, debaixo de torrões e entre restos culturais. A atividade costuma ser maior ao entardecer e durante a noite, períodos em que os organismos saem dos abrigos para se alimentar.
A cobertura do solo, comum no sistema de plantio direto, oferece proteção contra a radiação solar e predadores. No entanto, a presença de palhada não significa necessariamente que haverá infestação. A intensidade da ocorrência varia conforme o talhão, o histórico da área e as condições ambientais.
Quais danos as pragas podem causar à soja?
Os principais danos aparecem nas folhas jovens, nos cotilédones, estruturas iniciais da planta, e nas hastes. Ao se alimentar dos tecidos vegetais, lesmas e caracóis provocam lesões irregulares e raspagens, que podem destruir parte ou a totalidade dessas estruturas.
Em situações mais severas, as plantas podem tombar ou morrer. Quando a população dos organismos é elevada, a redução do número de plantas pode comprometer o estande da lavoura e, em casos extremos, tornar necessário o replantio.
Os efeitos também podem se estender até a colheita. Populações elevadas de caracóis podem contribuir para o embuchamento das colheitadeiras, aumentar o desgaste das máquinas e provocar mau cheiro durante a operação.
Como monitorar lesmas e caracóis na lavoura
A recomendação da Aprosoja/MS é iniciar o monitoramento desde a semeadura, principalmente em áreas que já registraram a presença desses organismos em safras anteriores.
Durante as avaliações, o produtor deve observar a cobertura do solo e afastar a palhada e os torrões para procurar lesmas, caracóis, ovos e trilhas de muco. Nas plantas, é importante verificar folhas, cotilédones e hastes em busca de sinais de raspagem ou consumo dos tecidos.
As inspeções ao entardecer e à noite podem facilitar a identificação, devido à maior atividade dos organismos nesses períodos.
Ainda não há consenso na literatura científica sobre um nível de ação específico para lesmas e caracóis. Por isso, a decisão sobre o controle deve considerar a intensidade dos danos, a população de plantas remanescente, o estágio de desenvolvimento da soja e a persistência das condições favoráveis à ocorrência.
Manejo integrado ajuda a controlar as pragas
O controle de lesmas e caracóis é desafiador porque esses organismos podem se alimentar por períodos prolongados, utilizar diferentes fontes de alimento e permanecer abrigados sob a cobertura do solo. Por isso, a Aprosoja/MS recomenda o manejo integrado de pragas (MIP), que combina diferentes estratégias de prevenção e controle.
A rotação de culturas pode contribuir para reduzir as populações. A conservação de inimigos naturais, como aves, mamíferos, anfíbios, répteis, bactérias e insetos predadores, também faz parte das medidas de manejo destacadas no informativo técnico.
Em áreas com populações elevadas, as iscas estão entre as alternativas utilizadas. O Informativo Técnico 07/2026 aponta o fosfato férrico como ingrediente ativo registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para o controle de lesmas e caracóis na agricultura.
A escolha do produto deve respeitar o registro vigente, as culturas autorizadas e as instruções de uso descritas no rótulo e na bula. As iscas devem ser distribuídas sobre o solo, próximas às plantas que precisam de proteção, sem incorporação. A aplicação no final da tarde favorece o contato com os organismos durante o período de maior atividade.
Em áreas com histórico de ocorrência, o informativo indica que a aplicação logo após a semeadura pode ajudar a proteger as plantas durante a emergência. O consumo rápido das iscas pode sinalizar uma população elevada e indicar a necessidade de reavaliar a área, sempre respeitando as orientações do produto.
Monitoramento desde a semeadura reduz riscos
A identificação correta das espécies, a avaliação dos danos e o acompanhamento frequente da lavoura ajudam a orientar as medidas de controle. O monitoramento precoce é especialmente importante no início do desenvolvimento da soja, quando a perda de plantas pode comprometer a formação do estande.
A Aprosoja/MS reforça que o acompanhamento contínuo permite identificar sinais de ataque e adotar medidas adequadas às condições de cada área durante a safra 2026/2027.

