O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que a regulamentação das big techs será uma das prioridades de seu novo mandato. Em discurso após a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25), Lula criticou o poder das grandes empresas de tecnologia, denunciou tentativas de interferência no processo eleitoral brasileiro e prometeu ampliar a comunicação direta com a população.
Reeleito para seu quarto mandato, o presidente afirmou que a disputa eleitoral evidenciou a necessidade de estabelecer regras para a atuação das plataformas digitais, especialmente diante de sua influência sobre o debate público e os processos democráticos.
“Vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime da vida real”, declarou.
Lula também criticou o poder econômico das multinacionais de tecnologia, questionando a atuação de empresas que movimentam bilhões de reais e, segundo ele, tentam influenciar os resultados eleitorais.
O presidente afirmou que sua campanha precisou enfrentar interferências externas por meio das plataformas digitais. A declaração representa uma acusação política, sem que tenham sido apresentadas, no pronunciamento, provas de uma atuação coordenada das empresas para alterar o resultado da eleição.
Comunicação digital terá espaço especial no governo
Além de defender a regulamentação das big techs, Lula anunciou mudanças na estratégia de comunicação do governo federal. O presidente reconheceu que a campanha eleitoral trouxe lições importantes sobre a necessidade de dialogar diretamente com os brasileiros.
“A comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, afirmou.
Segundo Lula, a proposta é ampliar a participação popular nas decisões do Executivo e utilizar as redes sociais com maior frequência para apresentar ações, esclarecer posicionamentos e manter contato com a população.
Durante o pronunciamento, o presidente agradeceu especialmente ao deputado federal André Janones, um dos principais articuladores da mobilização digital de sua campanha.
Janones liderou o chamado “Exército do Lula”, movimento que reuniu milhões de apoiadores em grupos de WhatsApp, transmissões ao vivo e ações nas redes sociais durante o segundo turno.
A experiência da campanha deverá influenciar a comunicação do próximo governo, com maior investimento em estratégias digitais e aproximação entre o presidente e os cidadãos.
Regulamentação e soberania digital
A proposta de regulamentação das big techs envolve discussões sobre responsabilidade das plataformas, combate a conteúdos ilegais, transparência e proteção dos processos democráticos.
O governo já encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta para estabelecer novas regras para as grandes empresas de tecnologia. O tema deverá ganhar força após a reeleição.
Lula também anunciou a intenção de investir na economia digital, atrair centros de processamento de dados e desenvolver uma inteligência artificial brasileira, reduzindo a dependência tecnológica de outros países.
A defesa da soberania digital passa, portanto, a integrar a agenda política do quarto mandato, ao lado da ampliação da participação popular e da reformulação da comunicação governamental.
Com a vitória nas urnas, Lula sinaliza que a disputa pelo futuro da democracia brasileira também será travada no ambiente digital, onde o poder das plataformas e o direito à informação deverão ocupar posição central nos debates dos próximos anos.

