A inflação tem atingido com mais força as famílias brasileiras de menor renda, impulsionada especialmente pelos aumentos no preço dos alimentos e pela alta da energia elétrica. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a inflação para as famílias com renda muito baixa (menos de R$ 2.105,99 mensais) acelerou para 4,99% nos 12 meses até outubro, a maior taxa registrada desde o início do governo Lula, em fevereiro de 2023.
Este aumento é particularmente preocupante, pois os preços dos alimentos, que representam uma fatia significativa do orçamento dessas famílias (cerca de 25%), subiram consideravelmente. A escassez de produtos devido a fatores climáticos, como a seca e as queimadas, agravou a situação, especialmente no setor de carnes, cujo custo foi elevado pelo impacto nos pastos e na alimentação do gado. Além disso, a energia elétrica, que também pesa no bolso dos mais pobres, viu um aumento no custo de produção devido às condições climáticas desfavoráveis, embora as tarifas tenham mostrado sinais de alívio com a mudança para a bandeira amarela em novembro, após meses no nível vermelho.
Em contraste, as famílias de maior renda, com ganho mensal superior a R$ 21 mil, viram uma desaceleração na inflação, com a taxa caindo para 4,44%. Esse movimento foi influenciado pela redução nos preços das passagens aéreas, que pesam mais no orçamento das famílias ricas. As famílias de renda mais alta foram as únicas a registrar uma inflação mais baixa no acumulado até outubro, refletindo uma melhoria nas tarifas de viagem, enquanto as famílias de baixa renda continuam enfrentando uma pressão inflacionária mais intensa.
O Ipea aponta que a tendência de aumento nos preços dos alimentos deve persistir até o fim de 2024, com fatores sazonais e o aumento da demanda, impulsionado pelo 13º salário e pela maior circulação de dinheiro, podendo agravar a inflação, especialmente para os mais pobres. Além disso, o dólar alto também contribui para a elevação dos preços dos alimentos importados.

