Produtos como aeronaves da aviação civil, petróleo, carne bovina e café brasileiro ficaram fora da lista de mercadorias atingidas pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Os setores, juntos, representaram cerca de um terço das exportações brasileiras para o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026.
A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e estabelece uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A cobrança adicional está prevista para começar em 22 de julho.
Além dos setores de aviação, petróleo, carne e café, também ficaram de fora da tarifa extra produtos como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.
Segundo o governo norte-americano, as exceções foram definidas para itens que não possuem produção interna suficiente nos Estados Unidos ou que poderiam causar impactos ao mercado consumidor caso fossem sobretaxados.
Setores afetados
Entre os produtos brasileiros que continuam sujeitos à tarifa adicional estão itens como aço e ferro, roupas, calçados, açúcar, etanol, medicamentos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos e outros produtos industrializados.
O USTR afirmou que a decisão foi tomada após uma investigação e alegou que determinadas práticas comerciais brasileiras prejudicariam empresas, trabalhadores e exportadores dos Estados Unidos.
O governo brasileiro contestou a medida e afirmou que não reconhece a justificativa apresentada pelos norte-americanos. Em nota, informou que pretende utilizar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e levar o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Café comemora exclusão da tarifa
Entidades do setor cafeeiro comemoraram a manutenção do produto fora da lista de sobretaxas. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmaram que a articulação junto a representantes norte-americanos contribuiu para a decisão.
O setor destaca que os Estados Unidos são o maior consumidor e importador mundial de café, e que as vendas brasileiras ao país movimentam entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano.
Apesar da exclusão neste momento, as entidades alertam que ainda existe outra investigação conduzida pelo USTR que pode resultar em uma nova tarifa sobre o café brasileiro no futuro.
A avaliação do setor é que a manutenção do acesso ao mercado norte-americano preserva a competitividade do Brasil, que é o maior produtor e exportador mundial de café.


