A moeda brasileira, o real, foi rebaixada para seu nível mais fraco em um ano, de acordo com projeções de estrategistas cambiais, sugerindo que sua recente queda pode se tornar uma tendência de longo prazo.
O real tem enfrentado uma desvalorização contínua desde o início de 2024, influenciada por preocupações crescentes sobre a situação fiscal do país e pela diminuição dos fluxos especulativos, devido à redução dos spreads entre as taxas de juros brasileiras e norte-americanas.
Segundo a mediana das previsões de 31 estrategistas entrevistados entre 31 de maio e 4 de junho, espera-se que o real seja negociado a R$ 5,05 por dólar em um ano. Essas previsões variaram de R$ 4,70 a R$ 5,29 por dólar.
Essa estimativa representa o patamar mais fraco desde junho de 2023, quando a projeção era de R$ 5,14 por dólar, indicando uma persistente deterioração na percepção da moeda, iniciada em abril.
Analistas do Rabobank destacam que o real continuará sujeito a movimentos de volatilidade enquanto persistirem as incertezas fiscais locais, especialmente em um contexto onde o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, não sinaliza uma mudança iminente em sua política monetária.
Além disso, fatores como o calendário eleitoral e fiscal no Brasil, juntamente com uma diminuição na entrada de dólares do comércio exterior neste ano, contribuem para pressões adicionais de desvalorização sobre o real, especialmente no primeiro semestre de 2024.
Embora o Banco Central brasileiro tenha realizado um corte na taxa básica de juros, a Selic, no mês passado, esse movimento não foi suficiente para aliviar as preocupações em torno da redução dos diferenciais de juros, uma vez que o Federal Reserve mantém as taxas de juros nos Estados Unidos.

