O Ministério de Minas e Energia anunciou alterações nas regras de eficiência energética para geladeiras e congeladores domésticos no Brasil, buscando uma redução significativa nas emissões de carbono até 2030. A medida, no entanto, enfrenta críticas e debates sobre seu impacto no acesso à tecnologia e no mercado de eletrodomésticos.
A resolução prevê que apenas modelos de refrigeradores com um índice máximo de 85,5% do consumo padrão de energia poderão ser fabricados e importados a partir do próximo dia 31. Essa mudança representa um desafio para o setor, que prevê a saída de modelos mais acessíveis do mercado, elevando o preço mínimo dos produtos para mais de R$ 5.000, segundo a Eletros, entidade que representa o setor.
A medida será implementada em duas etapas: na primeira, válida a partir de 31 de janeiro de 2023, as fabricantes e importadoras poderão vender os produtos já produzidos e importados antes desse prazo até o final de 2024. A partir de 31 de dezembro de 2025, os varejistas e atacadistas não poderão mais comercializar modelos com eficiência energética acima do patamar estabelecido.
As mudanças visam uma significativa redução nas emissões de gás carbônico, estimando uma economia de 5,7 milhões de toneladas até 2030. O Ministério afirma que, a partir de 2028, os produtos disponíveis nas lojas serão, em média, 17% mais eficientes do que os oferecidos atualmente no mercado.
No entanto, a Eletros, associação que representa fabricantes de eletroeletrônicos, critica a medida, alegando que ela elitiza o setor, excluindo modelos mais acessíveis para a população de baixa renda. O presidente-executivo da entidade, Jorge Nascimento, afirma que a mudança resultará em geladeiras mais baratas custando entre quatro e seis salários mínimos, prejudicando a acessibilidade.
O Ministério de Minas e Energia estima que a nova resolução pode gerar uma economia de energia elétrica de 11,2 terawatt-hora até 2030, equivalente ao consumo anual de residências na região Norte do país. Em termos econômicos, a pasta estima benefícios de R$ 400 milhões até 2030 em energia conservada. (Folha PRESS)

