Ao longo dos últimos anos, a dinâmica econômica brasileira tem passado por uma significativa descentralização, como aponta o estudo "PIB dos Municípios", divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (15). Em 2002, apenas quatro cidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, respondiam por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No entanto, em 2021, esse grupo cresceu para 11 cidades, indicando uma redução da concentração econômica.
Entre as novas integrantes desse seleto grupo, destacam-se Manaus, Curitiba, Osasco (SP), Maricá (RJ), Porto Alegre, Guarulhos (SP) e Fortaleza. O levantamento mostra que, em 2002, seria necessário somar as riquezas de 48 cidades para atingir 50% do PIB nacional, enquanto em 2021, esse número subiu para 87, sinalizando um país com uma distribuição mais equitativa.
A pesquisa também evidencia mudanças nas capitais, que passaram a representar 27,6% da economia em 2021, registrando o menor índice desde o início da pesquisa em 2002. Esse fenômeno é atribuído à descentralização intensificada em 2020, quando as capitais concentravam atividades de serviços presenciais afetadas por medidas restritivas de isolamento durante a pandemia da COVID-19.
A evolução do estudo aponta que São Paulo e Rio de Janeiro foram as cidades que mais perderam participação no PIB entre 2002 e 2021, enquanto Maricá, no Rio de Janeiro, e Parauapebas, no Pará, destacaram-se como os municípios que mais ganharam participação. O PIB per capita também revela disparidades regionais, com Catas Altas, em Minas Gerais, liderando o ranking, impulsionada pela extração de minério de ferro.
O estudo do IBGE mostra que a economia brasileira está passando por mudanças significativas, com implicações para o desenvolvimento regional e as políticas públicas. A descentralização econômica pode influenciar a formulação de estratégias governamentais, buscando promover o equilíbrio e a inclusão em todo o território nacional.

