A greve que já completa seis dias no Porto Seco de Corumbá, importante ponto de entrada e saída para importação e exportação em Mato Grosso do Sul, está gerando apreensão no setor econômico. Com a paralisação dos auditores-fiscais, responsáveis pela liberação de cargas na linha internacional, o fluxo comercial, que movimentou mais de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre deste ano, enfrenta atrasos significativos.
A região de Corumbá tem uma das maiores movimentações de carga no interior do país, sendo estratégica para o comércio de produtos como soja, milho não moído, celulose e carne bovina com a Bolívia. A paralisação, sem prazo para encerramento, ocorre em meio a uma operação padrão dos auditores-fiscais, que reivindicam o cumprimento integral do acordo firmado em 2016, estabelecendo o pagamento do bônus de eficiência da classe.
De acordo com o Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal Nacional em Mato Grosso do Sul (Sindifisco-MS), o impacto da greve vai além dos atrasos nas operações de importação e exportação. Com a fila de caminhões zerada na última sexta-feira após congestionamentos iniciais, a incerteza sobre a retomada normal das atividades preocupa empresários locais
O impasse na negociação entre os auditores e o governo, que regulamentou o bônus por meio de decreto, mas com entraves para pagamento, intensifica a greve. Além de Corumbá, outras unidades fronteiriças, como Ponta Porã e Mundo Novo, também podem ser afetadas, embora com um fluxo de cargas inferior. A operação padrão, que aumentou o tempo médio de liberação de cada veículo, evidencia a insatisfação da classe, que busca o cumprimento do acordo firmado em 2016 e a reivindicação do Plano de Aplicação do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (Fundaf) para 2024.
A greve, que já afeta diversas atividades desempenhadas pelos auditores, é um desdobramento das medidas adotadas pelo governo federal em setembro, quando houve um corte significativo no orçamento da Receita Federal. A categoria já operava em padrão mínimo como forma de protesto, e a situação se agravou com a implantação do corte, que reduziu o orçamento de R$ 2,4 bilhões para R$ 700 milhões. Diante do impasse, não há previsão para o fim da greve

