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Economia

há 2 anos

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Altas temperaturas já refletem em preços e aumentam preocupações sobre seus impactos na economia

Com a chegada iminente do verão em dezembro, as altas temperaturas podem pressionar ainda mais os preços de produtos essenciais, como alimentos e energia elétrica.

O avanço do calor intenso no Brasil não se limita a um incômodo no dia a dia; agora, especialistas alertam para os possíveis efeitos dessa onda de calor na economia, com impactos já visíveis na inflação e no setor elétrico. Com a chegada iminente do verão em dezembro, as altas temperaturas podem pressionar ainda mais os preços de produtos essenciais, como alimentos e energia elétrica.

Em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou um aumento significativo de 6,09% nos preços do ar-condicionado, a maior alta em três anos. Analistas atribuem esse aumento à demanda elevada devido ao calor intenso e à seca histórica no Amazonas, que impactou a produção.

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), destaca que, embora seja comum o aumento na demanda por ventiladores e ar-condicionado nesta época do ano, o calor mais intenso e precoce pode ter causado uma alteração nos preços desses bens.

Além dos eletrodomésticos, as altas temperaturas podem acelerar os preços de alimentos sensíveis ao clima, como verduras, legumes e frutas. As mudanças climáticas, associadas ao fenômeno El Niño, que altera o padrão de chuvas no país, colocam em risco a oferta desses alimentos, gerando preocupações sobre a inflação.

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, ressalta que o calor traz riscos, especialmente para o setor de hortifrúti, onde a variabilidade climática pode impactar a qualidade e a disponibilidade dos produtos. Há também a preocupação com um possível atraso na safra de soja, com potenciais reflexos na qualidade dos grãos.

Outro ponto de atenção está relacionado ao setor elétrico. As altas temperaturas aumentam o consumo de energia e impulsionam o uso de fontes mais caras, como as térmicas, podendo resultar em repasses para as tarifas no verão. Paulo Cunha, consultor da FGV Energia, destaca que embora haja a possibilidade de impacto nas tarifas, a situação atual dos reservatórios de hidrelétricas e o desempenho de fontes renováveis proporcionam um panorama "confortável" na produção de energia no Brasil.

Apesar do consumo recorde de energia elétrica nos últimos dias, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) assegura que o Sistema Interligado Nacional (SIN) é robusto e está preparado para atender às demandas. 

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