Em uma trama de disputas acionárias, a empresa Eldorado, localizada em Três Lagoas, anunciou hoje (14) um feito notável: encerrou o terceiro trimestre com uma venda recorde de celulose, atingindo 534 mil toneladas, representando um aumento de 13% em relação ao trimestre anterior. No entanto, mesmo com o expressivo volume comercializado, o lucro bruto registrou uma queda de 1,5%, totalizando R$ 716 milhões, conforme revelado pelo balanço trimestral.
Ao comparar os dados com o mesmo período do ano anterior, a queda no lucro bruto é ainda mais expressiva, atingindo 55,6%. O EBITDA ajustado, por sua vez, alcançou R$ 546 milhões. Apesar desses desafios, o comando da Eldorado se mantém otimista diante das adversidades do mercado de celulose.
Fernando Storchi, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Eldorado, destaca que, mesmo em condições desafiadoras, a empresa registrou um trimestre notável, quebrando recordes tanto de produção quanto de vendas. A produção atingiu a marca de 479 mil toneladas de celulose, o melhor resultado já alcançado pela empresa em um trimestre.
A empresa revelou que sua dívida líquida atingiu o menor patamar desde sua instalação em 2012, totalizando R$ 1,537 bilhão, uma redução de R$ 219 milhões em relação ao trimestre anterior. Os investimentos no último trimestre alcançaram R$ 233 milhões, incluindo atividades de manutenção florestal, industrial e logística.
Um investimento expressivo, não contabilizado neste trimestre, foi de R$ 500 milhões no novo terminal portuário em Santos, aumentando a capacidade de escoamento para até 3 milhões de toneladas ao ano. Essa capacidade supera a produção atual da Eldorado, indicando a persistente intenção da empresa de duplicar sua capacidade em Três Lagoas.
Entretanto, um imbróglio judicial entre os irmãos Joesley e Wesley Batista e o grupo asiático da Paper Excellence (PE) impede um investimento adicional de R$ 15 bilhões para a segunda unidade da indústria, que elevaria a capacidade de produção em 2,5 milhões de toneladas. A disputa, que já perdura seis anos, pode ter desdobramentos importantes, impactando o futuro da Eldorado e do mercado de celulose no Brasil.

