A Bolsa de Valores brasileira encerrou a sexta-feira (8) com mais uma queda, influenciada por preocupações quanto a um possível aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e a desaceleração da economia chinesa. Com a ausência de indicadores econômicos relevantes e um volume financeiro reduzido após o feriado, o Ibovespa caiu 0,58%, fechando o dia aos 115.313 pontos.
Essa queda marca uma semana de perdas em todos os pregões, impulsionada principalmente pelo cenário internacional e pela falta de gatilhos positivos na agenda local. Ao longo da semana, o Ibovespa acumulou uma queda de 2,19%.
No mercado de câmbio, o dólar começou o dia em queda, mas recuperou força e terminou praticamente estável devido às especulações em torno da próxima decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O dólar encerrou a semana cotado a R$ 4,9828, com uma valorização de 0,87% em relação à semana anterior.
Globalmente, o sentimento do mercado continua cauteloso em relação aos ativos de risco. Investidores permanecem atentos à desaceleração econômica da China, e novos dados sobre o mercado de trabalho nos EUA aumentaram as preocupações sobre um possível aumento nas taxas de juros no país.
Os dados recentes do mercado de trabalho nos EUA mostraram resiliência, com a queda nos pedidos iniciais de seguro-desemprego e um aumento nos custos da mão de obra. Diante desses indicativos, o mercado especula se o Fed pode elevar as taxas de juros na reunião de novembro.
A próxima semana trará dados de inflação nos Estados Unidos, que podem fornecer pistas sobre a postura do Fed na reunião de política monetária de setembro. Embora o mercado pareça ter consolidado a manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos na próxima reunião do Fed, uma abordagem mais rígida não está descartada.
No Brasil, a agenda econômica foi esvaziada, e a sessão de negociação teve um volume financeiro reduzido. No entanto, a conclusão da reforma ministerial do governo de Luiz Inácio Lula da Silva pode ajudar a destravar medidas econômicas no Congresso.
Os investidores também aguardam a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, previsto para terça-feira (12), que deve apresentar uma aceleração em relação a julho. Analistas consultados pela Bloomberg preveem um aumento de 0,29% no índice em agosto, em comparação com 0,12% no mês anterior.
Nos mercados futuros, que refletem as expectativas dos investidores para a taxa básica de juros (Selic), as curvas de juros registraram queda. Os contratos para janeiro de 2025 passaram de 10,60% para 10,55%, enquanto os de 2027 caíram de 10,51% para 10,46%.
Em relação às ações, a Vale teve a maior queda do dia, recuando 1,89%, refletindo o desempenho dos contratos de minério de ferro no mercado internacional e preocupações de supervisão regulatória na China. A Petrobras também contribuiu para o desempenho negativo do Ibovespa, com queda de 0,41% em suas ações preferenciais e 1,08% nas ordinárias.
No mercado internacional, os principais índices de ações dos EUA encerraram o dia com leves altas, mas acumularam perdas ao longo da semana. Preocupações sobre a Apple e a desaceleração econômica chinesa afetaram negativamente os mercados.
Em relação à Apple, as notícias sobre restrições na China podem afetar as vendas da empresa no país, um de seus mercados mais importantes. Isso levou a uma queda de 2,92% nas ações da Apple e perdas significativas em seu valor de mercado.

