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Economia

há 2 anos

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Economia brasileira cresce 0,9% no segundo trimestre e alimenta expectativas positivas

Setores de serviços e indústria impulsionam o PIB, mas desafios futuros são observados

O comportamento da economia brasileira no segundo trimestre de 2023, com um crescimento de 0,9% em relação aos três meses anteriores, foi amplamente antecipado por analistas do setor produtivo. Esses especialistas mantêm uma visão otimista para os próximos meses, à medida que o Produto Interno Bruto (PIB) do país registra uma alta de 3,7% no primeiro semestre, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O setor de serviços, que representa cerca de 70% da dinâmica econômica brasileira, desempenhou um papel fundamental, com um crescimento de 0,6% no trimestre. O economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), identifica três fatores principais por trás desse crescimento. Em primeiro lugar, os serviços não são tão impactados pelo aperto monetário, ao contrário da indústria e do comércio de bens duráveis, como automóveis. Em segundo lugar, a demanda reprimida durante a pandemia, especialmente no setor de serviços, ainda não se esgotou, contribuindo para um aumento da atividade nesse segmento. Por último, a valorização do real em relação ao dólar tem favorecido os serviços, uma vez que ajuda a conter a inflação, um fator crucial para esse setor.

Bentes prevê que, se a inflação continuar sob controle, mesmo que um pouco mais alta, e se o Banco Central promover novos cortes na taxa de juros, os serviços e o consumo no comércio devem aquecer ainda mais no segundo semestre de 2023, mantendo-se como os motores do crescimento do PIB.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), representando 130 mil indústrias brasileiras, também se mostrou otimista em relação ao resultado do PIB do segundo trimestre, que superou suas expectativas. Igor Rocha, economista-chefe da Fiesp, apontou que a entidade estava projetando um crescimento de 0,8%, mas o desempenho positivo surpreendeu, especialmente no setor agrícola, que apresentou uma queda de apenas 0,9% em vez dos 3,4% esperados pelo mercado. Rocha deve revisar as expectativas de crescimento da economia ao final de 2023, com projeções indicando um crescimento de 3%, se não houver surpresas negativas.

Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) observou que a queda de 0,9% no setor agropecuário era esperada devido à sazonalidade das colheitas. Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da CNA, explicou que o desempenho do setor agrícola segue um padrão cíclico, com quedas nos segundo e terceiro trimestres, seguidas por um aumento no final do ano. Ele destacou que, quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, o setor agrícola apresentou um crescimento de 17%. Além disso, ao analisar o acumulado dos últimos quatro trimestres, o setor registrou um crescimento de 11,2%.

Esse desempenho positivo é resultado de estímulos, como os altos preços das commodities no mercado internacional, que têm beneficiado a produção brasileira. No entanto, existe uma preocupação em relação à queda nos preços das commodities, que pode afetar a próxima safra, uma vez que os produtores podem reduzir os investimentos em tecnologia, impactando negativamente a produtividade.

Outra preocupação é o fenômeno climático El Niño, que pode prejudicar o início do plantio da safra 2023/2024, especialmente no caso do trigo, que está previsto para o final deste ano e o início de setembro. A análise cuidadosa do comportamento dos preços das commodities em dólares é fundamental, uma vez que grande parte da produção brasileira é destinada ao mercado internacional.

 

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