O cenário dos combustíveis no Brasil se encontra novamente sob pressão, com expectativas de um novo aumento no preço do diesel no início de setembro. Após o último reajuste nas refinarias da Petrobras e o encarecimento das importações, a retomada parcial da cobrança de impostos federais, conforme previsto em uma medida provisória, deverá contribuir para esse novo repique nos preços.
A previsão é de que a reoneração seja implementada já na próxima semana, de acordo com a medida provisória que reduziu os impostos sobre a compra de veículos. O diesel, que atualmente tem uma alíquota zerada de PIS/Cofins, passará a ter uma incidência de R$ 0,11 por litro em setembro e mais R$ 0,02 por litro em outubro.
O aumento do preço do diesel nos postos de combustível tem sido notável nas últimas semanas, retornando à marca dos R$ 6 por litro, algo que não ocorria desde fevereiro. Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço médio do diesel S-10 no país atingiu R$ 6,05 por litro na semana passada, representando um aumento de R$ 0,97 por litro após o último reajuste da Petrobras no dia 16 de agosto.
A magnitude desse repasse superou as estimativas da estatal, que havia previsto um acréscimo de R$ 0,65 por litro. Esse cenário é atribuído não apenas ao reajuste nas refinarias, mas também ao encarecimento das importações, que contribuem significativamente para o abastecimento nacional.
Outro fator de preocupação é o elevado preço dos Cbios, os créditos de carbono do setor de combustíveis. A proximidade de R$ 150 por unidade em julho adicionaria mais de R$ 0,10 por litro aos preços nas bombas. Combinado com a mistura de biodiesel ao diesel comercializado nos postos, espera-se que a retomada da cobrança de PIS/Cofins resulte em um repasse adicional de R$ 0,10 por litro já no começo de setembro.
A reoneração dos impostos federais sobre o diesel ocorre em um momento de limitadas possibilidades de redução de preços nas refinarias da Petrobras. Isso é evidenciado pelo preço médio do diesel nas refinarias da estatal, que está cerca de R$ 0,66 por litro abaixo da paridade de importação calculada pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
Esse cenário se agrava com o recente incêndio em uma refinaria nos Estados Unidos, capaz de abastecer aproximadamente 5% do mercado local. Jean Paul Prates, presidente da Petrobras, alertou para uma possível escalada dos preços de combustíveis no mercado internacional devido a esse incidente, aumentando ainda mais a instabilidade nos preços no Brasil.

