O desmatamento na Amazônia apresentou retração de 35,4% no período de agosto de 2025 a janeiro de 2026, na comparação com os mesmos meses do ciclo anterior. As informações são do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e foram divulgadas nesta quinta-feira (12) pelo governo federal. Trata-se do menor patamar da série histórica iniciada em 2015.
Os números foram detalhados pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pela secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior — que assumirá o comando da pasta no lugar de Rui Costa (PT-BA) a partir de abril — e por representantes técnicos do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Inpe, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.
Degradação florestal cresce
Apesar da queda no desmate por corte raso, o levantamento aponta avanço na chamada degradação progressiva, geralmente associada à repetição de incêndios e intensificada por eventos climáticos extremos. Em 2025, essa modalidade correspondeu a 38% das áreas afetadas, ante 27% no ano anterior.
De acordo com Marina Silva, o país já havia registrado, no último ano, redução de 50% no desmatamento da Amazônia em comparação com 2022. Com o novo recuo de 35,4% no semestre mais recente, a projeção do Executivo é alcançar o menor índice histórico nas próximas medições oficiais.
Cenário em outros biomas
No Cerrado, os dados indicam diminuição mais discreta: 5,9% de queda no comparativo entre 2024/2025 e 2025/2026.
Já no Pantanal houve aumento de 45,5% no desmatamento frente ao período anterior, passando de 202 km² para 294 km². Ainda assim, o total permanece 65,2% abaixo do registrado em 2023/2024, quando o índice alcançou 846 km².
Sistemas de acompanhamento
O Inpe utiliza dois mecanismos para monitorar a vegetação nativa. O Prodes, em operação desde 1988, calcula a taxa anual consolidada de desmatamento por corte raso na Amazônia Legal.
O Deter, por sua vez, funciona como ferramenta de alerta quase em tempo real, com base em imagens de satélite que acompanham diariamente alterações na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, abrangendo mais de 75% do território nacional.


