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TRAGÉDIA

há 10 meses

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Um ano após rompimento, famílias seguem sem indenização

Tragédia no Nasa Park deixou perdas irreparáveis e moradores ainda lutam por justiça

Nesta terça-feira (20), completa-se um ano do rompimento da barragem do condomínio Nasa Park, localizado na divisa entre Campo Grande e Jaraguari, em Mato Grosso do Sul. O colapso da estrutura despejou milhões de litros de água em propriedades próximas à BR-163, provocando destruição material, impactos ambientais e prejuízos duradouros a diversas famílias.

O que aconteceu

Alems

O rompimento ocorreu por volta das 9h da manhã do dia 20 de agosto de 2024. A força da água arrastou casas, plantações, criações de animais e vegetação nativa. Apesar da violência do incidente, não houve registro de feridos.

Ao menos 11 propriedades foram diretamente atingidas pela enxurrada, conforme levantamento inicial. Casas foram parcialmente ou totalmente destruídas, e áreas produtivas, como hortas e criadouros, ficaram comprometidas. Muitas famílias perderam o sustento e precisaram buscar abrigo em áreas mais altas ou junto a parentes próximos.

Consequências e cenário atual

Um ano depois, os efeitos da tragédia ainda são visíveis. Imagens aéreas mostram regiões inteiras degradadas e estruturas cobertas pela vegetação. Em muitos casos, tentativas de reconstrução enfrentam novos desafios, como ataques de animais silvestres e instabilidade do solo.

Além das perdas materiais, moradores enfrentam dificuldades financeiras e alegam não terem recebido indenizações compatíveis com os danos sofridos. Parte das famílias atingidas firmou acordo com os responsáveis pela barragem, enquanto outras seguiram com ações judiciais por discordarem dos valores propostos.

Situação jurídica

Em fevereiro de 2025, foi firmado um acordo entre o condomínio e parte dos atingidos, no valor de R$ 1,3 milhão. Já em março, a Justiça determinou o desbloqueio de R$ 35 milhões em bens para garantir futuras indenizações. Para os que aceitaram o acordo, o pagamento é feito em três parcelas, com intervalo de quatro meses.

Imóveis avaliados em R$ 4 milhões permanecem judicialmente bloqueados para garantir a compensação de moradores que optaram por ações judiciais. A Justiça também definiu um prazo de dois anos para que esses moradores possam aderir aos acordos caso mudem de posição.

Versão da empresa

Os responsáveis pelo empreendimento — a empresa A&A Empreendimentos Imobiliários — afirmam que a barragem era legalizada e construída com base em um plano de recuperação de área degradada (PRAD), aprovado em 1995. Segundo os sócios, o sistema apresentava boas condições estruturais e havia laudos que atestavam a estabilidade da barragem.

A empresa levanta a hipótese de que o rompimento tenha sido provocado por ação externa ou sabotagem, já que, segundo relato dos proprietários, moradores teriam ouvido uma explosão momentos antes do incidente. Também alegam que, no dia do rompimento, não havia registro de chuvas, descartando sobrecarga hídrica.

De acordo com a empresa, profissionais foram enviados ao local poucas horas após o ocorrido para realizar atendimentos e levantamentos. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado com o Ministério Público para viabilizar as indenizações, e o plano de recuperação ambiental da área já estaria em sua quarta fase.

Impacto ambiental

A destruição da barragem causou sérias alterações no ecossistema local. Houve perda de vegetação, contaminação do solo e desequilíbrio da fauna. Moradores relatam aumento da presença de animais silvestres, peçonhentos e parasitas, como carrapatos. A área que antes abrigava o lago artificial hoje apresenta um grande vazio, com erosões e solo exposto.

Um novo projeto de recuperação da barragem está sendo desenvolvido por uma empresa especializada, contratada pelos empreendedores, e será apresentado ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para avaliação e possível aprovação. A empresa afirma que não há laudo técnico que comprove falha estrutural no projeto original.

Investigação

As causas do rompimento ainda estão sob investigação pela Polícia Civil e acompanhadas pelo Ministério Público e órgãos ambientais. Até o momento, não há responsabilização definitiva. A empresa afirma estar colaborando com as autoridades e reitera que está à disposição para esclarecimentos.

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