Campo Grande deixou de figurar entre as 20 cidades brasileiras com melhor desempenho em saneamento e caiu para a 37ª posição no Ranking do Saneamento 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. O levantamento, baseado em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SNIS) referentes a 2023, mostra que a capital sul-mato-grossense perdeu 20 colocações em relação ao ano anterior, quando estava em 17º lugar.
De acordo com o estudo, a retração está diretamente ligada à redução no índice de cobertura de abastecimento de água e ao aumento das perdas durante a distribuição. Atualmente, 97,41% da população têm acesso à rede de água e 87,64% estão conectados ao sistema de esgoto. Apesar disso, apenas 61,26% do volume coletado é tratado, número distante da meta prevista pelo Novo Marco Legal do Saneamento, que estabelece que 90% dos moradores devem ter acesso à coleta e ao tratamento adequado até 2033.
Outro dado que preocupa é a perda de água na rede: quase 40% da água potável produzida não chega às residências, seja por vazamentos ou falhas na tubulação. O índice aceitável, segundo o estudo, seria de no máximo 25%.
Investimentos próximos da média, mas insuficientes
Entre 2019 e 2023, Campo Grande aplicou aproximadamente R$ 877 milhões em saneamento, o que corresponde a R$ 195,31 por habitante ao ano. O valor fica acima da média nacional (R$ 130,05) e próximo do considerado ideal pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (R$ 223,82). Ainda assim, os investimentos não impediram a queda no desempenho geral.
O Instituto Trata Brasil explica que parte da variação negativa pode ser atribuída à atualização metodológica feita após o Censo Demográfico 2022, que revisou o número de moradores por domicílio e ajustou a proporção de atendimento dos serviços.
Resposta da concessionária
Em nota, a Águas Guariroba, empresa responsável pelo abastecimento e tratamento de esgoto em Campo Grande, afirmou que mudanças nos critérios e bases de dados utilizadas no ranking impactaram diretamente os resultados.
A concessionária destacou ainda que a capital figura entre as três cidades brasileiras que mais investiram em saneamento no período e garantiu que 100% do esgoto coletado na cidade passa por tratamento.
Comparação nacional
O relatório também aponta que apenas cinco capitais brasileiras atingem pelo menos 80% de esgoto tratado: Curitiba (PR), Brasília (DF), Boa Vista (RR), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ).
O documento completo pode ser consultado no site do Instituto Trata Brasil.


