O Pantanal vive, em 2025, um dos períodos mais positivos no controle do fogo desde o início do monitoramento histórico, iniciado em 1998. De acordo com o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), a área queimada e o número de focos de calor registrados até agosto representam os menores índices das últimas quase três décadas.
Segundo o IHP, o território pantaneiro — que abrange Mato Grosso do Sul (65%) e Mato Grosso (35%) — registra até o momento pouco mais de 15 mil hectares queimados, menos de 1% da área total. Esse número contrasta com os picos alarmantes de 2020 e 2024, quando incêndios consumiram respectivamente 26% e 17% do bioma.
A partir de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pantanal acumula apenas 144 focos de calor entre janeiro e 16 de agosto, sendo 19 neste mês. Em agosto de 2024, foram registrados mais de 4.400 focos. A última vez que os números estiveram próximos disso foi em 2022, com 96 focos no mesmo mês.
Para o IHP, essa redução expressiva é resultado da combinação entre maior volume de chuvas nas cabeceiras do Rio Paraguai e ações mais eficazes de prevenção e fiscalização. A régua de Ladário, por exemplo, indicou nível acima da média histórica para o período de seca, retardando a queda do rio e mantendo o solo mais úmido por mais tempo.
Além das condições climáticas favoráveis, a mobilização de brigadas, ações preventivas coordenadas pelo Corpo de Bombeiros e políticas públicas específicas como a Lei do Pantanal (em vigor desde fevereiro de 2024) foram determinantes. Também contribuiu a presença permanente do Prevfogo/Ibama no bioma, com atuação em áreas estratégicas como o Parque Marina Gattass, em Corumbá, e regiões de fronteira.
Relatório do Cemtec-MS aponta que houve uma redução de quase 99% na área queimada do Pantanal em Mato Grosso do Sul, em comparação com o mesmo período de 2024. De janeiro a 13 de agosto deste ano, já foram mobilizados 676 bombeiros militares em ações de combate, preparo e monitoramento ambiental.
Mesmo com o cenário positivo, o alerta continua. A previsão do Cemtec-MS para os meses de agosto e setembro aponta risco elevado de incêndios, com municípios do sul, sudoeste e região pantaneira em níveis de atenção e alerta.
A pesquisadora Rita de Cássia Martins dos Santos, da UFMS, ressalta que o Pantanal ainda carece de mecanismos mais sólidos de proteção, tanto em nível nacional quanto internacional. Apesar da petição para inclusão do bioma na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, a Unesco não acatou o pedido em 2023.
De acordo com o IHP, o momento é de cautela e reforço das ações de prevenção. A Resolução nº 004/2025, da Semadesc e Imasul, suspende qualquer tipo de queima prescrita ou controlada em Mato Grosso do Sul até 30 de novembro.
“O histórico recente mostra o quanto o Pantanal é vulnerável, mas também como respostas rápidas e integradas podem salvar este bioma. Não é apenas sobre o fogo, é sobre proteger a vida, a biodiversidade e as comunidades que vivem do Pantanal”, destaca o Instituto Homem Pantaneiro.


