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MEIO AMBIENTE

há 10 meses

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Onça-pintada de MS reverte extinção na Argentina

Jatobazinho, resgatado em Corumbá, tornou-se pai de 12 filhotes após ser solto em Corrientes

Uma história que começou com um resgate no Pantanal brasileiro hoje é símbolo internacional de recuperação de espécies ameaçadas. A onça-pintada “Jatobazinho”, encontrada debilitada em Corumbá, a 428 km de Campo Grande, mudou o destino da espécie em uma região da Argentina onde ela estava extinta há mais de 70 anos. Desde sua reintrodução, o felino se tornou pai de 12 filhotes e ajudou a restabelecer o equilíbrio ecológico local.

O marco foi lembrado neste domingo (10), no Dia dos Pais, quando o projeto Onçafari e a Fundação Rewilding Argentina homenagearam o animal. Para os biólogos, Jatobazinho é um exemplo de como o esforço conjunto entre países, ONGs e comunidades pode transformar um cenário de extinção em esperança.

Alems

Do resgate à recuperação

Em 2018, moradores da região da Escola Jatobazinho, no Pantanal, avistaram o animal magro, fraco e desorientado. A equipe do Onçafari foi acionada e encontrou o macho em estado crítico. Após sedação e exames, ele foi levado para tratamento, recebendo alimentação controlada e acompanhamento veterinário diário. Com o tempo, recuperou o apetite, voltou a ganhar peso e readquiriu vigor.

No ano seguinte, Jatobazinho foi transferido para o recinto de reabilitação da Fazenda Caiman, em Miranda, a 208 km da Capital. Lá, passou por meses de readaptação, aprendendo a caçar presas vivas e a desenvolver novamente seus instintos naturais — etapa fundamental para sobreviver em liberdade.

Missão internacional

Com a recuperação completa, surgiu a oportunidade de contribuir com um projeto ambicioso: a reintrodução de onças-pintadas no Parque Iberá, na província de Corrientes, Argentina. O local, que já abrigou a espécie no passado, não registrava um exemplar selvagem havia mais de sete décadas.

Transportado com segurança até o país vizinho, Jatobazinho foi recebido por especialistas da Fundação Rewilding Argentina. A soltura ocorreu em janeiro de 2022, e desde então, o felino se adaptou perfeitamente ao novo território.

Pai e símbolo da conservação

A integração foi tão bem-sucedida que, em pouco mais de três anos, Jatobazinho teve 12 filhotes com diferentes fêmeas da região. Os jovens felinos já começam a explorar áreas mais amplas, garantindo a presença da espécie e fortalecendo a cadeia alimentar do ecossistema local.

Para os responsáveis pelo projeto, o sucesso de Jatobazinho vai além da reprodução. “Ele representa a reconexão entre o homem e a natureza, mostrando que é possível reverter danos ambientais quando há comprometimento e união de esforços”, destacou o Onçafari em nota.

Com mais de 20 netos previstos nos próximos anos, o legado de Jatobazinho deverá se expandir, tornando-se peça-chave na recuperação de uma das espécies mais icônicas da América do Sul.

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