Diante do agravamento da estiagem e do aumento no risco de incêndios florestais, o Governo de Mato Grosso do Sul vai suspender temporariamente a prática da queima controlada em todo o território estadual. A medida, prevista para vigorar de 1º de agosto a 30 de novembro, será oficializada por meio de portaria a ser publicada nos próximos dias no Diário Oficial.
A decisão foi tomada durante a 20ª Reunião Ordinária do Centro Integrado de Coordenação Estadual (Cicoe), realizada na sala de crise da Polícia Militar. Segundo as autoridades, a suspensão é uma ação preventiva para enfrentar o cenário climático crítico previsto para os próximos meses, marcado por chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas.
De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, o Estado já enfrenta os efeitos iniciais do período seco. “As previsões indicam um trimestre especialmente seco, e a queima, ainda que controlada, pode agravar o risco de incêndios em áreas urbanas e rurais”, explicou.
A queima controlada é uma técnica usada, sob autorização e supervisão, em atividades agropecuárias e florestais, com o objetivo de reduzir material combustível acumulado e evitar incêndios descontrolados. No entanto, com as atuais condições climáticas, a prática representa uma ameaça à segurança ambiental.
Dados apresentados durante a reunião indicam que diversos municípios do Estado estão há semanas sem registrar chuvas. Em regiões como Corumbá e Porto Murtinho, já são mais de 40 dias de estiagem. Campo Grande, Três Lagoas, Dourados, Ponta Porã e outras cidades também enfrentam períodos prolongados de seca.
Apesar da queda significativa nas áreas atingidas por fogo neste ano — com redução de quase 98% no Pantanal e de mais de 50% no Cerrado —, o governo estadual decidiu manter a postura de prevenção para evitar novos surtos de incêndios, comuns nesta época do ano.
A coordenação do Cicoe envolve diversas instituições, entre elas o Corpo de Bombeiros Militar, Imasul, Polícia Militar Ambiental, Ibama, ICMBio, Defesa Civil, Cemtec e representantes do setor produtivo. O grupo atua na elaboração de estratégias de enfrentamento aos desastres ambientais e no monitoramento contínuo das condições do tempo.
Além da suspensão da queima, o Estado também aprovou recentemente um Plano de Contingência para Desastres Climáticos, elaborado com base na abordagem de “Saúde Única”. O plano mapeia áreas vulneráveis, estabelece protocolos de emergência e visa proteger a saúde da população diante de eventos extremos, como enchentes, estiagens e queimadas.


