“É um alívio, mas ainda estamos longe da normalidade.” O alerta é de Leandro Bortoluzzi, do Imasul, sobre os níveis do rio Paraguai em 2025. Apesar da elevação significativa após a seca extrema de 2024, a recuperação do principal rio de Mato Grosso do Sul ainda não foi completa.
Dados das estações de medição mostram aumento expressivo. Em Ladário, a cota do rio subiu de 0,98 metro em 2024 para 3,21 metros neste ano. Em Porto Murtinho, passou de 1,89 metro para 4,31 metros no mesmo período.
Mesmo com a alta, os níveis seguem abaixo dos registrados em 2023. Em Ladário, a diferença é de 87 centímetros. Em Porto Murtinho, a cota está 20 centímetros menor que a média de dois anos atrás.
Em outubro do ano passado, o Paraguai registrou mínimas históricas: -71 cm em Ladário e apenas 52 cm em Porto Murtinho. Foi a pior seca desde o início do monitoramento.
Com a chegada do período seco, os técnicos do Imasul alertam que os níveis tendem à estabilização ou queda. A situação exige monitoramento contínuo e políticas de adaptação às mudanças climáticas.
“Precisamos entender que os ciclos extremos estão se tornando mais frequentes. Não é só questão de esperar chover. É preciso planejar, preservar nascentes e fortalecer a gestão da água”, afirma Bortoluzzi.
A população pode acompanhar os dados em tempo real no site do Imasul, que publica boletins diários com gráficos e previsões hidrológicas para todo o estado.
A crise hídrica de 2024 afetou a navegação, o ecossistema e comunidades ribeirinhas do Pantanal. Especialistas reforçam que ações estruturantes são urgentes para evitar novos colapsos.
Apesar da elevação dos níveis em 2025 ser um sinal positivo, o Imasul reforça: Mato Grosso do Sul ainda vive um cenário de atenção. O rio Paraguai precisa mais do que chuva — precisa de cuidado constante.


