O Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) deu prazo para que a Prefeitura de Campo Grande esclareça detalhes sobre obras de infraestrutura viária e mobilidade urbana realizadas na capital. A cobrança partiu do conselheiro Osmar Domingues Jeronymo, que encaminhou ofícios solicitando informações à prefeita Adriane Lopes.
Os documentos pedem explicações sobre intervenções na Avenida Norte Sul, incluindo serviços de drenagem, recapeamento, contenção de erosão, pavimentação, ampliação de vias, implantação de ciclovias e ações de revitalização no entorno do córrego Anhanduí/Ernesto Geisel.
Foto por: Mary VasquesO relator também requisitou informações detalhadas sobre a origem dos recursos utilizados nas obras - se provenientes do município, do governo estadual ou da União - além da relação de contratos e convênios firmados para a execução das intervenções.
Em outro pedido, o TCE-MS quer esclarecimentos sobre os valores aplicados pela prefeitura como contrapartida municipal na implantação dos corredores de ônibus na cidade. As obras fazem parte do plano de mobilidade urbana e contam com financiamento federal por meio do Programa Avançar Cidades.
Entre as intervenções previstas estão a construção de estações de embarque e desembarque, implantação de sinalização vertical e horizontal, ajustes semafóricos e melhorias estruturais no sistema de transporte coletivo.
A prefeitura terá 10 dias úteis, a partir do recebimento da notificação, para apresentar as informações solicitadas. O acompanhamento faz parte da fiscalização do Tribunal de Contas sobre a execução de obras públicas e a aplicação de recursos em projetos estruturantes voltados à mobilidade e à infraestrutura urbana de Campo Grande.
Corredores de ônibus registram acidentes e confusão no trânsito
Mesmo com quase quatro anos desde a implantação dos primeiros corredores exclusivos para ônibus em Campo Grande, muitos motoristas ainda enfrentam dificuldades para entender as regras de circulação, especialmente no momento de realizar conversões. A confusão tem resultado em acidentes, alguns deles graves e até fatais.
Levantamento aponta que ao menos 23 colisões ocorreram desde 2022 nos dois únicos corredores atualmente em funcionamento na capital: Rua Rui Barbosa e Rua Brilhante. Apenas neste ano foram registrados 10 acidentes, enquanto em 2024 foram quatro, em 2023 cinco e em 2022 quatro.
Dados do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran) mostram que, desde a inauguração das estruturas, 981 acidentes foram registrados nas duas vias, sendo 541 na Rua Rui Barbosa e 440 na Rua Brilhante.
Na Rua Rui Barbosa, o número de ocorrências vem crescendo ao longo dos anos: foram 80 acidentes em 2022, passando para 202 em 2024, enquanto 2026 já soma 107 registros. Já na Rua Brilhante, os números são mais irregulares, com 123 acidentes em 2022, 90 em 2023, 141 em 2024 e 86 neste ano.
A maioria das ocorrências acontece devido a conversões feitas de forma irregular. Segundo a Prefeitura de Campo Grande, não é permitido atravessar o corredor a partir da faixa central da via para realizar conversões, prática considerada infração e que aumenta o risco de colisões.
A secretária do Gabinete de Gestão Integrada de Vida no Trânsito (GGIT), Ivanise Rotta, afirma que cabe aos motoristas conhecer as regras antes de circular pelas vias com intervenções de engenharia viária.
“Antes de circular, é preciso se informar sobre as regras de uma intervenção de engenharia diferente da habitual. Em caso de dúvida, o condutor deve evitar a manobra”, explica.
De acordo com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), veículos que circulam pelo corredor — especialmente ônibus — têm sempre preferência, e conversões feitas diretamente da faixa central são proibidas.
Quando a manobra irregular é realizada, a infração é considerada gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), conforme o Código de Trânsito Brasileiro.
Apesar das dificuldades registradas no trânsito, a prefeitura prevê ampliar o sistema. O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli, informou que a implantação de novos corredores deve ser retomada na Rua Bahia e na Avenida Bandeirantes.
Outras vias, como Avenida Gury Marques e Avenida Costa e Silva, também estão no planejamento, mas ainda não têm previsão de execução.
Atualmente, apenas dois dos sete corredores planejados há mais de uma década estão em funcionamento, entregues em 2022. Dos 69 quilômetros prometidos, cerca de 13% foram concluídos até agora.


