A entrada em vigor das novas normas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) já provocou impacto direto nos valores cobrados pelas autoescolas de Campo Grande. Anúncios divulgados principalmente nas redes sociais indicam reduções expressivas nos preços, com pacotes básicos a partir de R$ 450 e ofertas que prometem descontos de até 80% em relação aos valores praticados anteriormente.
As alterações passaram a valer após o lançamento do Programa CNH do Brasil, em 9 de dezembro, e têm como objetivo ampliar o acesso à habilitação e diminuir os custos para os candidatos. Segundo o Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Mato Grosso do Sul, as autoescolas já estão ajustando seus serviços aos novos parâmetros, com valores médios entre R$ 500 e R$ 600, geralmente incluindo um número reduzido de aulas práticas e sem considerar as taxas cobradas pelo Detran.
Valores variam conforme pacote e categoria
Levantamento realizado em autoescolas da Capital mostra que os preços variam conforme o tipo de habilitação (carro, moto ou ambas), a quantidade de aulas práticas contratadas e a inclusão, ou não, das taxas do Detran-MS. Há desde pacotes enxutos até opções mais completas, que ultrapassam R$ 1,5 mil e reúnem curso teórico, aulas práticas e todas as taxas obrigatórias.
Entre os exemplos encontrados estão planos de R$ 590 à vista, que incluem aulas práticas de carro e moto, matrícula, gerenciamento do processo de habilitação, aulas teóricas e exames práticos. Também há combos intermediários, na faixa de R$ 890 a R$ 1.290, com maior número de aulas, além de pacotes mais extensos que chegam a R$ 1.890, voltados a quem busca treinamento mais aprofundado.
As opções mais econômicas partem de R$ 450 para a categoria A, com cinco aulas práticas, enquanto a categoria AB pode custar cerca de R$ 750, geralmente sem as taxas do Detran inclusas. As autoescolas também oferecem parcelamentos e, em alguns casos, destacam a possibilidade de contratação sem consulta a cadastros de inadimplência.
Implantação gradual gera insegurança
O Detran-MS informou que iniciou a adaptação de seus sistemas e procedimentos às novas regras, destacando que a implementação ocorre de forma progressiva devido ao impacto nos atendimentos e na estrutura interna do órgão. Conforme divulgado, as mudanças previstas na Resolução Contran nº 1.020/2025 e na Medida Provisória nº 1.327/2025 representam a maior atualização já realizada no processo de formação e renovação da CNH.
Apesar de o Estado ter registrado recentemente o primeiro condutor habilitado pelo novo modelo, o próprio Detran esclareceu que o caso fez parte de um projeto piloto. Nesse procedimento, etapas como abertura do Renach e aulas teóricas foram realizadas gratuitamente por meio do aplicativo nacional, enquanto taxas e exames ainda seguiram os valores anteriores, já que a atualização da tabela depende de aprovação da Assembleia Legislativa.
O órgão também informou que ajustes identificados durante a experiência piloto estão sendo implementados e que, a partir do próximo ano, o processo deverá estar adequado às novas diretrizes, incluindo a redução da carga horária para agendamento das provas.
Setor relata dificuldades na transição
Enquanto o novo sistema não é plenamente consolidado, o setor de formação de condutores relata um cenário de incerteza. Representantes das autoescolas afirmam que ainda há dúvidas sobre a aplicação das provas teóricas, o início das aulas práticas e a aceitação do conteúdo estudado de forma on-line pelo governo. Essa indefinição tem impactado o fluxo de alunos e dificultado a definição de preços, já que muitos candidatos aguardam a completa implementação do modelo mais barato antes de iniciar o processo.
O que muda com a nova CNH
A principal mudança trazida pela nova resolução do Contran é o fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas para a obtenção da CNH. O processo de formação passa a poder ser iniciado pelo aplicativo CNH do Brasil, integrado ao Gov.br, permitindo que o candidato estude o conteúdo teórico gratuitamente e on-line.
Entre as alterações estão a redução das aulas práticas obrigatórias de 20 para duas horas, a extinção das 45 horas de aulas teóricas presenciais e a autorização para atuação de instrutores autônomos credenciados, independentemente das autoescolas. Após concluir a etapa teórica, o candidato deve comparecer ao Detran para biometria, foto e agendamento da prova.
Provas continuam obrigatórias
Mesmo com a flexibilização das etapas de formação, o Detran-MS reforça que as provas teórica e prática permanecem obrigatórias. As avaliações práticas, inclusive, passam por adaptações, como o fim da eliminação automática por falhas leves e a retirada da prova de rampa. Outra novidade é a possibilidade de um primeiro reteste gratuito em caso de reprovação.
Com a soma das mudanças, o custo médio para obtenção da CNH, que antes podia chegar a R$ 3 mil, deve cair para algo entre R$ 700 e R$ 800, dependendo do estado, conforme estimativa do Ministério dos Transportes.


