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OITIVAS

há 1 ano

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CPI do Transporte: consórcio Guaicurus defende tarifa de R$ 9 e admite frota vencida em Campo Grande

Ex-diretor-presidente João Rezende, que comandou o Consórcio desde 2012 culpou a Prefeitura e chorou ao falar na CPI

Em uma das oitivas mais tensas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo da Câmara Municipal de Campo Grande, realizada nesta segunda-feira (16), o Consórcio Guaicurus defendeu o reajuste da tarifa do passe de ônibus para cerca de R$ 9 (quase o dobro dos atuais R$ 4,95). Durante os depoimentos, os diretores da concessionária também admitiram que 97 ônibus circulam com prazo de validade contratual vencido e que não há previsão de renovação da frota.

O diretor jurídico-administrativo do consórcio, Leonardo Dias Marcello, disse que o valor de R$ 9 corresponderia à tarifa técnica justa, considerando custos como combustível, salários e manutenção, além do índice de ocupação. O valor, segundo ele, reflete uma média de outras capitais e seria necessário para o reequilíbrio financeiro do contrato. Atualmente, a tarifa técnica calculada pela Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) é de R$ 6,17.

Alems

Marcello afirmou ainda que os subsídios da Prefeitura e do governo do Estado, que deveriam ajudar a custear as gratuidades no transporte, ainda não foram repassados neste ano. O município destinou no fim de 2024 R$ 3,3 milhões extras ao consórcio, elevando o subsídio total a R$ 22,8 milhões. O Estado, por sua vez, ampliou para R$ 13 milhões o valor pago para garantir a gratuidade dos estudantes da rede estadual.

Já o ex-diretor-presidente João Rezende, que comandou o Consórcio desde 2012 e segue na diretoria, responsabilizou a Prefeitura pelo envelhecimento da frota. Ele alegou que o contrato previa melhorias na mobilidade urbana, como corredores exclusivos e reformas em terminais, que não foram realizadas. Rezende disse ainda que o consórcio não comprará novos veículos enquanto o município não quitar valores em aberto e reequilibrar o contrato. “Nosso patrimônio está sendo dilacerado e depreciado pela inoperância da prefeitura”, afirmou.

Os ânimos ficaram exaltados durante o depoimento, que teve momentos de confronto entre Rezende e os vereadores, especialmente o presidente da CPI, vereador Dr. Lívio Leite (União Brasil). Em um dos momentos mais emocionados da oitiva, Rezende chorou ao falar sobre o impasse e foi consolado pelo filho e pelo advogado.

Ao final, Dr. Lívio garantiu que a Câmara vai cobrar a renovação da frota. “A população de Campo Grande não vai ficar sem resposta. Vamos cobrar melhorias, doa a quem doer, seja da Prefeitura ou do Consórcio Guaicurus”, disse.

As oitivas continuam nesta quarta-feira (18), com os depoimentos do atual diretor-presidente, Thamis de Oliveira, e do sócio-proprietário, Paulo Constantino. No dia 25, será realizada audiência pública na Câmara, das 13h às 17h, aberta à participação da população.

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