A indústria de laticínios de Mato Grosso do Sul vive uma crise sem precedentes e alerta para o risco iminente de colapso. Entre 2010 e 2023, a produção de leite no estado caiu de 511,3 milhões para 307,1 milhões de litros, uma retração de quase 40%, segundo dados do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso do Sul (Silems). Apenas 42,5% do leite produzido em 2023 foi processado localmente, evidenciando perda de competitividade e fragilidade da cadeia produtiva.
O presidente do Silems, Abraão Giuseppe Beluzi, afirma que a situação se agravou em 2024, quando a industrialização recuou 13,9%, chegando a 112,5 milhões de litros. “Enquanto os produtores recebem incentivos, nossas indústrias vivem em estado de emergência. Sem apoio imediato, muitas correm risco de fechar”, alertou.
A pressão externa também preocupa. Em 2024, R$ 181,4 milhões em leite UHT e R$ 86,2 milhões em queijo muçarela foram importados de outros estados, criando uma concorrência desigual que ameaça os empregos e investimentos locais.
O Silems defende medidas urgentes, como priorização de produtos de MS nas compras públicas, revisão da tributação sobre produtos de fora e retirada da substituição tributária do ICMS para laticínios locais. O sindicato enfatiza que o objetivo não é obter privilégios, mas assegurar condições mínimas de sobrevivência e competitividade para o setor.
Além do aspecto econômico, o setor reforça o papel social do leite, que garante renda e permanência das famílias no campo. Apesar do investimento de R$ 9,2 milhões anunciado pelo governo estadual via Proleite, o setor considera que a ação ainda é insuficiente para frear a crise estrutural que ameaça fechar indústrias e comprometer toda a cadeia produtiva de laticínios no estado.

