A Cooperativa Agrícola Sul-Mato-Grossense (Copasul) lançou oficialmente, na manhã desta terça-feira (2), duas novas variedades de mandioca voltadas para uso industrial: BRS Boitatá e BRS Ocauçu. O lançamento aconteceu durante o 5º Dia de Campo da Mandioca, realizado em Naviraí (MS), evento que reúne cerca de 400 produtores e especialistas para discutir inovações no cultivo da raiz.
As novas cultivares foram desenvolvidas pela Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e validadas para o Centro-Sul do país com apoio da Embrapa Agropecuária Oeste (MS). Os responsáveis pela apresentação das variedades foram os pesquisadores Rudiney Ringenberg e Marco Antonio Rangel, que lideraram o processo de validação das plantas na região.
Também participaram do evento os pesquisadores Carlos Estevão Cardoso, representando a chefia-geral da unidade, e Vanderlei Santos, que coordenava o programa de melhoramento genético de mandioca durante a seleção das cultivares. O engenheiro-agrônomo Helton Fleck da Silveira, especialista em transferência de tecnologia, completou o time da Embrapa.
Além dos lançamentos, a programação incluiu duas palestras técnicas: a primeira, sobre o mercado da mandioca e seus derivados, foi conduzida por Fábio Isaías Felipe (Cepea/Esalq-USP); a segunda, com o agricultor Laercio Della Vechia, abordou práticas de agricultura sustentável.
Conheça as novas variedades
BRS Boitatá - Altamente produtiva, essa variedade apresenta teor elevado de amido e resistência a doenças como bacteriose, superalongamento e antracnose, o que reduz o uso de agroquímicos. Com película clara, suas raízes servem tanto para a produção de amido quanto de farinha, ampliando o potencial de mercado. É indicada para colheitas precoces e tardias, o que favorece o fornecimento contínuo de matéria-prima para as fecularias.
BRS Ocauçu - Com porte ideal para plantio mecanizado, é adaptada a solos de baixa fertilidade e proporciona rápida cobertura do solo, o que ajuda no controle de plantas daninhas. Também apresenta alta estabilidade no teor de matéria seca, essencial para a produção de amido e farinha. Assim como a Boitatá, pode ser utilizada em diferentes janelas de colheita e tem boa produção de manivas (material propagativo).
Validação e impacto para os produtores
As duas variedades surgiram de cruzamentos realizados em Cruz das Almas (BA) e foram avaliadas em diversos ensaios até se destacarem como os clones 2010 55-04 (BRS Ocauçu) e 2010 56-18 (BRS Boitatá), registrados em 2022. Em 2024, foram oficialmente liberadas para cultivo nos estados de Mato Grosso do Sul e Paraná.
Os materiais foram testados por indústrias exigentes do setor de fécula e farinha do Centro-Sul. Segundo o pesquisador Marco Rangel, “o desempenho tem sido bastante estável em termos de produtividade e rendimento de amido por hectare”.
O engenheiro-agrônomo Cleiton Zebalho, da Copasul, acompanhou de perto os testes nos últimos três anos: “O destaque é que são cultivares adaptadas a dois ciclos, algo raro no mercado atual. Isso amplia as opções para nossos cooperados”, afirmou. Atualmente, a Copasul é a fornecedora exclusiva do material de plantio, mas novos parceiros devem ser integrados nos próximos meses.


