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Política

há 1 mês

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Zambelli destinou R$ 2 milhões em emenda para produtora ligada ao filme "Dark Horse" sobre Bolsonaro

Recursos seriam usados em série conservadora sobre personagens históricos do Brasil, mas verba foi retida após apontamentos do TCU sobre falta de rastreabilidade

A ex-deputada federal Carla Zambelli destinou R$ 2 milhões em emenda parlamentar para a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O recurso seria utilizado na produção da série documental “Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rendem”, mas acabou bloqueado após questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, a verba foi transferida em julho de 2024 ao caixa do governo de São Paulo por meio de emenda Pix. A proposta previa três episódios com abordagem conservadora sobre personagens históricos brasileiros: “Portugal: Luz para o Brasil”, “José de Anchieta: o Apóstolo do Brasil” e “Dom Pedro I: o Libertador”. Parte do valor também poderia ser utilizada para um show musical, sem detalhes sobre artistas ou formato do evento.

Alems

Além de Zambelli, o projeto recebeu recursos de outros parlamentares ligados ao bolsonarismo. O deputado federal Marcos Pollon enviou R$ 1 milhão, enquanto o ex-deputado Alexandre Ramagem destinou R$ 500 mil. Já a deputada federal Bia Kicis repassou R$ 150 mil.

O TCU apontou irregularidades no repasse após identificar que os valores foram depositados diretamente em conta do Tesouro estadual, contrariando a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que determina contas específicas e individualizadas para cada emenda parlamentar. Após auditoria, os recursos retornaram às contas de origem.

Em nota, o governo de São Paulo afirmou que os valores e os acréscimos legais foram posteriormente direcionados para conta segregada, conforme orientação técnica do TCU. A gestão estadual também informou que os recursos permaneciam parados devido à falta de documentação da entidade beneficiária.

A Academia Nacional de Cultura voltou ao centro das investigações após o ministro Flávio Dino determinar apuração preliminar sobre suspeitas de irregularidades em emendas destinadas a projetos culturais ligados ao filme “Dark Horse”. O caso também envolve outras entidades associadas à produtora Karina Ferreira da Gama.

A investigação menciona o Instituto Conhecer Brasil (ICB), Go Up Entertainment, Conhecer Brasil Assessoria e a própria ANC. Segundo a deputada federal Tabata Amaral, autora do pedido que motivou a apuração, as organizações funcionariam no mesmo endereço e sob a mesma estrutura administrativa, o que poderia dificultar a rastreabilidade dos recursos públicos.

Outro nome citado é o deputado federal Mario Frias, apontado como roteirista e ator do filme “Dark Horse”. De acordo com o STF, há indícios de possível quebra de transparência e desvio de finalidade na destinação das emendas parlamentares.

O caso ganhou ainda mais repercussão após o jornal Intercept Brasil divulgar conversas em que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção cinematográfica. Até o momento, segundo as informações divulgadas, comprovantes indicariam repasses de R$ 61 milhões relacionados ao projeto audiovisual.

As defesas de Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, Marcos Pollon e Mario Frias foram procuradas, mas não haviam se manifestado até a última atualização do caso.

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