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ELEIÇÕES 2026

há 5 dias

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Governo Lula vê Flávio usar tarifaço para desviar foco de crise com Michelle, dizem aliados

A avaliação de integrantes do governo é de que não seria a primeira vez que Flávio Bolsonaro utiliza pautas ligadas ao governo norte-americano para conter desgastes políticos

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem intensificado o debate sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos como estratégia para reduzir o impacto político da crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Segundo aliados do Palácio do Planalto, o embate comercial com os Estados Unidos recoloca a disputa eleitoral no centro das discussões e ajuda a diminuir o desgaste provocado pelo conflito interno no campo bolsonarista.

Alems

A avaliação de integrantes do governo é de que não seria a primeira vez que Flávio Bolsonaro utiliza pautas ligadas ao governo norte-americano para conter desgastes políticos. Auxiliares de Lula citam a viagem do senador à Casa Branca, realizada em meio à repercussão das conversas com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, sobre pedidos de recursos para financiar o filme Dark Horse, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pouco depois da visita, os Estados Unidos anunciaram a designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, tema que passou a ser explorado pelo senador em sua agenda política.

Enquanto isso, o governo Lula busca associar a ofensiva de Flávio aos interesses dos Estados Unidos e reforçar o discurso de defesa da soberania nacional. O presidente passou a relacionar diretamente a atuação da família Bolsonaro às tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump em julho de 2025.

Até 15 de julho, o governo norte-americano decidirá se adotará a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

Antes disso, na próxima terça-feira (7), Flávio Bolsonaro participará de uma audiência pública em Washington para discutir o tarifaço, enquanto o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas para tentar evitar a medida.

A troca de acusações ganhou intensidade após o senador encaminhar às autoridades norte-americanas um documento afirmando que a manutenção das tarifas representaria uma "vitória política" para Lula e sugerindo que qualquer decisão seja tomada apenas após as eleições.

No documento, Flávio também propõe mudanças na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, incluindo uma flexibilização dos compromissos assumidos pelo país no Mercosul.

Em resposta, Lula classificou a iniciativa como uma ação contrária aos interesses nacionais e acusou integrantes da família Bolsonaro de agirem como "traidores da Pátria".

"Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois", escreveu o presidente nas redes sociais.

Após a manifestação de Lula, Flávio voltou a defender sua posição e afirmou que o governo federal não negociou adequadamente a retirada das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

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