O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, fez um apelo público para que venezuelanos que vivem no exterior retornem ao país. Durante um ato no estado de Miranda, ele pediu que os emigrantes “superem, perdoem e voltem”, afirmando que “sempre estarão melhor em sua terra”.
A mensagem, que recebeu aplausos no evento, ganhou grande repercussão nas redes sociais, mas não teve o mesmo efeito entre parte da diáspora venezuelana — estimada em cerca de 7,8 milhões de pessoas que deixaram o país na última década, em meio à crise econômica e política.
No discurso, Rodríguez defendeu a superação da polarização e afirmou que a Venezuela precisa “virar a página dos ódios e da violência”. Aliado do governo e integrante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), ele também reforçou a ideia de que o país vive um novo momento e caminha para uma recuperação econômica.
Nos últimos dias, lideranças governistas, incluindo a vice-presidente Delcy Rodríguez e o ministro do Interior Diosdado Cabello, têm intensificado agendas pelo país com discursos semelhantes, sob o lema de reconstrução e unidade nacional.
Apesar disso, relatos de venezuelanos que vivem no exterior mostram um cenário de desconfiança. Muitos afirmam que as condições que motivaram a saída do país ainda persistem, como instabilidade econômica, problemas nos serviços básicos e insegurança política.
Em entrevistas, emigrantes relataram perdas pessoais e profissionais ao deixar a Venezuela, além de dificuldades para considerar um retorno no atual contexto. Há também críticas à permanência do chavismo no poder e cobranças por mudanças políticas mais profundas.
Outro ponto citado é a situação dos presos políticos. Organizações independentes apontam que ainda há centenas de pessoas detidas por motivos políticos no país, o que, segundo críticos, dificulta qualquer tentativa de reconciliação.
Mesmo com sinais de leve melhora econômica e anúncios do governo, analistas avaliam que os efeitos das mudanças ainda são limitados no curto prazo. Medidas como a flexibilização parcial de sanções internacionais são vistas como importantes, mas insuficientes para reverter rapidamente a crise.
Diante desse cenário, o apelo para “perdoar e voltar” esbarra em um sentimento predominante entre muitos venezuelanos no exterior: o desejo de estabilidade, segurança e liberdade antes de considerar um retorno definitivo ao país.


