O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou a aliados que não pretende colocar em votação qualquer nova indicação ao Supremo Tribunal Federal antes das eleições presidenciais de outubro. A posição foi relatada por parlamentares ouvidos nos últimos dias e também publicada pela Folha de S.Paulo, refletindo o cenário político após a recente rejeição de um nome indicado pelo governo.
Segundo esses interlocutores, Alcolumbre avalia que não há sentido em analisar uma indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a menos de seis meses do pleito. A decisão, na prática, congela o processo de escolha para a Corte até o fim do calendário eleitoral e reforça a leitura de que o ambiente político pode influenciar diretamente esse tipo de deliberação.
O entendimento, de acordo com relatos, se aplicaria inclusive a nomes com maior aceitação no Senado. Entre eles, o do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que chegou a ser considerado uma opção viável e tinha simpatia do próprio Alcolumbre.
A sinalização ocorre após a derrota do então indicado Jorge Messias no plenário do Senado — um episódio considerado raro e que expôs dificuldades do governo na articulação política dentro da Casa. Nos bastidores, lideranças atribuem a rejeição a uma articulação ampla da oposição. Segundo esses relatos, parlamentares alinhados à direita teriam sido responsáveis por 30 dos 42 votos contrários, enquanto Alcolumbre teria atuado diretamente na construção de outros votos pela rejeição.
Após o resultado, Messias afirmou ter sido alvo de um processo de “desconstrução” durante a tramitação no Senado. Ele também se reuniu com Lula logo após a votação, em meio à repercussão política do episódio.
Com a decisão de Alcolumbre, a indicação de um novo ministro para o STF deve ficar suspensa até depois das eleições, ampliando o peso do contexto político na definição da vaga e adiando a recomposição da Corte.


