A autorização para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, concedida pela Justiça da Itália, pode levar até dois anos para ser concluída, dependendo do andamento dos recursos apresentados pela defesa. A parlamentar está detida em Roma desde 2025.
Na quinta-feira (26), a Corte de Apelação de Roma decidiu favoravelmente ao pedido de extradição feito pelo Brasil. Apesar disso, a medida não é imediata e ainda pode ser contestada pela defesa, que tem prazo de até 15 dias para recorrer.
Possibilidade de recurso pode prolongar processo
O advogado Fábio Pagnozzi já informou que pretende levar o caso à Corte de Cassação, instância superior da Justiça italiana. Segundo especialistas em direito internacional, se o recurso for rejeitado, o trâmite pode ser encerrado em poucos meses. Por outro lado, caso o tribunal aceite reavaliar o mérito, o processo pode se prolongar significativamente, chegando a até dois anos.
A decisão final sobre a extradição caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio.
Procedimento de entrega ao Brasil
Se a extradição for confirmada ao fim das etapas judiciais, as autoridades italianas deverão comunicar a representação diplomática brasileira. Em seguida, Zambelli será entregue à Interpol, responsável por conduzi-la ao Brasil sob escolta.
A chegada deve ocorrer em aeroportos como Guarulhos, em São Paulo, ou Galeão, no Rio de Janeiro. Ao desembarcar, a ex-deputada será encaminhada à Polícia Federal e deverá ser presa imediatamente.
Condenações no Brasil
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal em dois processos. Em um deles, recebeu pena de dez anos de prisão por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto. Segundo as investigações, ele teria sido contratado para inserir documentos falsos, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Em outro processo, a ex-deputada foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
Reação da defesa
O advogado criticou a decisão da Corte de Apelação e classificou o entendimento como inadequado. “Esse resultado da Corte de Apelação é sem pé nem cabeça. Ele simplesmente fala o que Alexandre de Moraes falou, que foi um julgamento justo e não foi político. É totalmente sem sentido”, afirmou.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso e destacou que ainda há possibilidade de recurso antes da decisão definitiva por parte do governo italiano.


