A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reagiu publicamente nesta sexta-feira (13) a uma declaração feita pela deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) após assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Nas redes sociais, Hilton afirmou que não se preocupa com críticas recebidas após sua eleição e declarou não se importar caso “o esgoto da sociedade não gostou” de sua escolha. A declaração motivou a manifestação da vice-governadora.
Crítica ao tom da declaração
Em vídeo divulgado nas redes, Celina Leão afirmou que o comentário não condiz com o espírito democrático e defendeu a importância do respeito às divergências políticas.
“Chamar quem pensa diferente de esgoto, como fez a deputada Erika Hilton, só revela o nível de quem prefere o ataque a soluções. Quem ocupa uma cadeira pública precisa saber respeitar quem pensa diferente. Discordar não transforma ninguém em esgoto”, disse a vice-governadora.
Segundo ela, ao assumir uma posição institucional, como a presidência de uma comissão da Câmara, o objetivo não deve ser tratar adversários políticos como inimigos.
Celina também destacou sua experiência anterior no Congresso Nacional e afirmou que a pauta dos direitos das mulheres deve superar divisões partidárias.
“Eu falo isso com muita tranquilidade porque já estive nesse lugar de responsabilidade. Tive a honra de coordenar a bancada feminina no Congresso Nacional. E ali aprendi algo muito importante: quando o assunto é a defesa das mulheres, não existe esquerda, direita ou centro. Existe união”, lembrou.
A vice-governadora acrescentou que o trabalho da comissão deve priorizar a união e a proteção das mulheres em situação de vulnerabilidade.
“Quem realmente acredita nessa causa sabe que as mulheres do Brasil são muito maiores do que qualquer disputa ideológica”, concluiu.
Contexto da posse na comissão
Desde que foi escolhida para presidir a comissão, na quarta-feira, Erika Hilton tem respondido a críticas de adversários políticos. Entre os opositores está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que mobilizou campanha contrária à eleição da parlamentar.
Ao comentar a vitória no colegiado, Hilton afirmou ter assumido o cargo em meio a críticas de setores que ela classifica como contrários à sua atuação.
“Sob protestos dos LGBTfóbicos e dos defensores do PL do Estupro, do PDL da Pedofilia e dos red pills, assumi a presidência da Comissão da Mulher”, disse ela na Câmara e em postagem nas redes sociais.
Para a deputada, o fato de sua eleição provocar reações negativas demonstra o cenário de tensão em torno das pautas relacionadas aos direitos das mulheres.
“incomodando essa trupe nojenta e odiosa demonstra a gravidade da situação em que nosso país se encontra. Estamos em uma onda de feminicídios, a misoginia não para de crescer, o judiciário está relativizando o estupro de vulnerável e a pedofilia”.


