O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nesta sexta-feira (13) a decisão do Ministério das Relações Exteriores do Brasil de revogar o visto do assessor político Darren Beattie, ligado ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Questionado por jornalistas, o parlamentar afirmou que considera exagerada a interpretação de que a possível visita do assessor ao Brasil poderia representar uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras.
Segundo o senador, a relação entre os dois países historicamente sempre foi marcada por cooperação e diálogo político.
“Parar com essa paranoia”
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro classificou como equivocada a justificativa apresentada pelo governo brasileiro para impedir a entrada do assessor.
"Olha só, esse pessoal tem que entender que, em primeiro lugar, tem que parar com essa paranoia de que alguém tá vindo aqui pra fazer interferência, fazer algum tipo de, sei lá, qualquer influência, nem nada disso."
Na avaliação do senador, Darren Beattie integra um grupo de influência política nos Estados Unidos e poderia se reunir livremente com autoridades brasileiras, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ele também criticou o argumento utilizado pelo Itamaraty para justificar a decisão.
"É um homem forte do governo americano, com um governo, um país com que o Brasil sempre teve excepcionais relações. E aí, com base numa mensagem mentirosa do Itamaraty, alegando que isso podia ser uma espécie de interferência em eleições aqui, o que é uma mentira."
Comparação com eleição de 2022
Flávio Bolsonaro ainda comparou a situação com episódios ocorridos durante as eleições presidenciais de 2022 no Brasil, quando o democrata Joe Biden estava à frente do governo norte-americano.
Segundo ele, na época houve presença de autoridades estrangeiras no país sem que a visita fosse interpretada como tentativa de interferência.
"Interferência em eleições houve quando, lá nas eleições de 22, o presidente dos Estados Unidos era o Joe Biden, mandou pra cá o chefe do FBI pra fazer sei lá o que, aí sim pressionar aqui o governo brasileiro por alguma coisa."
O senador também mencionou críticas sobre a atuação de agências norte-americanas no Brasil naquele período.
"Todo mundo sabe das interferências que houve com relação ao USAID, com centenas de milhões de dólares aplicados no Brasil, enfim, pra uma série de coisas que, não tenho nenhuma dúvida, pesaram nessas eleições de 2022."
Defesa de encontros políticos
Na avaliação do parlamentar, a eventual visita de um representante político estrangeiro para conversar com lideranças brasileiras não deveria gerar controvérsia.
"Não tem problema nenhum esse cidadão vir aqui conversar com o presidente Bolsonaro ou com outras autoridades que, porventura, ele tenha desejo de conversar."
A decisão do Itamaraty de revogar o visto de Darren Beattie ocorre em meio ao debate político sobre possíveis contatos internacionais envolvendo figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados de Donald Trump.


