O deputado estadual João Henrique Catan (NOVO) fez nesta quarta-feira (12) críticas ao sistema de saúde de Mato Grosso do Sul durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O parlamentar apresentou denúncias relacionadas ao atendimento na rede pública e apontou suposto descaso do secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Correia, com um paciente que aguarda cirurgia.
Segundo o deputado, um homem de 54 anos, morador de Bonito, estaria esperando por um procedimento cirúrgico no Hospital Regional de Campo Grande desde setembro de 2025, enfrentando dores intensas nos rins. Durante o pronunciamento, Catan afirmou ter recebido um áudio atribuído ao secretário com a resposta dada ao paciente: “Meu bem, eu sou secretário de saúde, eu não sou da assistência social e nem do agendamento”.
Críticas ao atendimento
Ao comentar o episódio, o parlamentar disse considerar inadequado o tratamento dispensado a pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Eu, como parlamentar, nunca vou admitir que uma pessoa da minha equipe distrate uma pessoa humilde, com dor nos rins ou o que quer que seja, que suplica para que o Estado a atenda e resolva um problema que também é um problema meu, que é do Estado”.
Catan acrescentou que, caso a situação tivesse ocorrido em sua equipe, tomaria providências imediatas. “Se o senhor fosse do meu gabinete, o senhor estaria exonerado nesse momento secretário!”, declarou.
Questionamentos sobre recursos
Durante o discurso, o deputado também questionou a aplicação de recursos públicos destinados ao hospital regional da capital sul-mato-grossense. Segundo ele, a unidade receberia cerca de R$ 60 milhões por mês do governo estadual.
“O que acontece com esses 60 milhões por mês que são enviados para o Hospital Regional? Será que é um buraco negro?”, disse o parlamentar, ao mencionar suspeitas levantadas em investigação relacionada à parceria público-privada (PPP) do hospital.
Ele também cobrou esclarecimentos sobre o orçamento da saúde estadual. “Senhor Secretário de Saúde, explica a maneira que o senhor tem gasto os recursos da saúde do estado, o senhor tem à sua disposição R$ 1,9 bilhão de reais. Exijo imediatamente que o senhor entregue todos os documentos”.
Críticas à Cassems
O deputado estendeu as críticas à Cassems, entidade responsável pela assistência médica dos servidores públicos estaduais. Segundo ele, a instituição recebe aproximadamente R$ 500 milhões por ano em subvenções públicas.
“A Cassems recebe gratuitamente 500 milhões [de reais] por ano dos patrocinadores que são entes públicos, enquanto as pessoas agonizam”, afirmou.
De acordo com o parlamentar, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul determinou fiscalização sobre o uso desses recursos após denúncias apresentadas por ele.
Situação da Santa Casa
Na mesma fala, Catan citou a situação da Santa Casa de Campo Grande, hospital que atende grande parte dos casos de alta complexidade no estado. Segundo o deputado, a instituição recebe cerca de R$ 33 milhões mensais, valor inferior ao destinado ao hospital regional.
Após visitar a unidade e analisar documentos apresentados pela direção, o parlamentar afirmou: “O que a Santa Casa me entregou de documentos, o Estado de Mato Grosso do Sul não nos entrega e não vai ter coragem de entregar”.
Ele também defendeu a ampliação dos repasses ao hospital. “A Santa Casa quer de 2,7 passar para 3,7. Se o governador injetar o recurso que ele coloca no regional, o governo não consegue pagar o serviço que a Santa Casa é capaz de produzir”.
Apelo por mudanças
Ao encerrar o discurso, o deputado afirmou que pretende continuar acompanhando o tema e cobrando esclarecimentos sobre a gestão da saúde no estado.
“Não há justiça com a saúde e com o pobre hoje no Mato Grosso do Sul”, concluiu.


