A entrada do deputado Hélio Lopes (PL-RJ) na disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) provocou reação negativa entre partidos do Centrão. Integrantes do bloco classificaram a iniciativa do PL como um movimento equivocado e, nos bastidores, afirmam que a legenda acabou dando um “tiro no pé” ao apostar em um nome identificado com o bolsonarismo.
A avaliação reservada de lideranças de centro é que a candidatura patrocinada pelo partido comandado por Valdemar Costa Neto tende a dificultar a construção de uma frente mais ampla dentro da Câmara, o que poderia, paradoxalmente, favorecer o deputado Odair Cunha (PT-MG), que também concorre ao posto na corte de contas.
Acordos e articulações na Câmara
Durante as negociações que antecederam sua eleição para a presidência da Câmara, Hugo Motta teria assumido compromisso de apoiar o petista para a cadeira aberta no TCU após a aposentadoria compulsória do ministro Aroldo Cedraz. Segundo interlocutores, Motta tem reiterado que manterá o entendimento firmado.
Apesar disso, a definição dependerá de votação em plenário, que exige maioria dos deputados. Desde o ano passado, partidos de oposição e siglas do Centrão discutem alternativas para tornar a disputa menos previsível e cogitam apresentar outros nomes.
Temor de desgaste institucional
Entre parlamentares de centro, há preocupação de que uma eventual vitória de Odair Cunha possa alterar o equilíbrio de forças entre Legislativo e Executivo, especialmente no debate sobre a obrigatoriedade de execução das emendas parlamentares — tema que tem sido alvo de críticas públicas por parte do governo federal.
Diante do desconforto, integrantes do PL, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), passaram a sinalizar simpatia à pré-candidatura do deputado Danilo Forte (CE), que tem defendido como bandeira o fortalecimento institucional do Congresso Nacional.
A expectativa é que o nome de Forte seja oficializado pelo União Brasil nos próximos dias, o que deve adicionar um novo componente à disputa pela vaga no tribunal.


