A Argentina registrou, na quinta-feira (19), uma ampla paralisação nacional em oposição ao projeto de reforma trabalhista apresentado pelo presidente Javier Milei. De acordo com lideranças sindicais, mais de 90% das entidades representativas dos trabalhadores aderiram ao movimento, que teve duração de 24 horas.
A mobilização foi organizada pela Confederação Geral do Trabalho da Argentina (CGT), principal central sindical do país. Segundo o secretário-geral Jorge Sola, a adesão expressiva demonstrou o alcance do protesto em diferentes setores da economia.
“Demonstramos, mais uma vez, nossa reivindicação diante da perda de empregos, da queda do poder de compra das famílias argentinas, dos cortes nos serviços de saúde e da desestruturação do tecido social e produtivo do nosso país”, afirmou o secretário.
Transporte e voos afetados
O setor de transportes esteve entre os mais impactados. Trens, metrôs e voos foram suspensos ao longo do dia, o que provocou transtornos inclusive em rotas internacionais, como as ligações aéreas entre Brasil e Argentina. Algumas linhas de ônibus continuaram operando, por não terem aderido à paralisação.
A estatal Aerolíneas Argentinas informou o cancelamento de 255 voos, afetando cerca de 31 mil passageiros.
Outro secretário-geral da CGT, Cristian Jeronimo, avaliou que “a CGT demonstrou que esteve à altura dos interesses que representa, contundência e uma prova de força de todo o território argentino”.
Proposta de reforma trabalhista
O projeto defendido pelo governo prevê mudanças em diferentes pontos da legislação trabalhista. Entre as principais alterações estão:
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Indenizações reduzidas: exclusão de 13º salário, férias e bônus da base de cálculo em demissões sem justa causa;
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Jornada de trabalho: ampliação do limite diário de oito para até 12 horas, desde que respeitado intervalo mínimo de 12 horas entre jornadas;
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Horas extras: criação de banco de horas como alternativa ao pagamento adicional;
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Salários flexíveis: possibilidade de remuneração em pesos ou moeda estrangeira, além de salários “dinâmicos”, vinculados a produtividade ou mérito individual;
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Licenças e férias: redução de pagamentos em casos de doença voluntária ou de risco e permissão para fracionamento das férias em períodos mínimos de sete dias.
A proposta integra o pacote de reformas estruturais apresentado pelo governo Milei, que enfrenta resistência de parte do movimento sindical e de organizações estudantis, também presentes nos protestos registrados em diferentes regiões do país.


