No último domingo (15), as autoridades da Ucrânia anunciaram a prisão do ex-ministro da Energia, German Galushchenko, no momento em que ele tentava cruzar a fronteira de trem para sair do país. A detenção está vinculada a uma ampla investigação anticorrupção que expôs um suposto esquema de subornos e lavagem de dinheiro no setor energético nacional, divulgado como o caso “Midas”.
Prisão na fronteira e acusações em meio ao “Caso Midas”
Segundo comunicado oficial divulgado pelo National Anti-Corruption Bureau of Ukraine (NABU), Galushchenko foi interceptado por detetives no momento em que tentava atravessar a fronteira estatal. “Hoje durante a travessia da fronteira estatal, detetives do NABU detiveram o ex-ministro de energia no âmbito do caso ‘Midas’”, informou a agência sem mencionar diretamente o nome do ex-ministro, mas deixando claro que se trata dele pelas circunstâncias do caso.
A investigação que resultou na prisão do ex-ministro emergiu no ano passado, quando órgãos anticorrupção começaram a desvendar um esquema que teria desviado cerca de US$ 100 milhões em comissões ilegais no setor de energia, incluindo contratos com a estatal nuclear Energoatom. O escândalo provocou indignação pública em um momento em que a Ucrânia enfrentava apagões e dificuldades energéticas em meio ao conflito com a Rússia.
Galushchenko havia renunciado ao cargo em novembro de 2025, quando o esquema começou a vir à tona e diversos outros altos funcionários também deixaram seus postos. Investigadores afirmam que ele recebeu “benefícios pessoais” decorrentes das transações ilegais, enquanto advogados e aliados negam a participação em irregularidades.
Desdobramentos e impacto político
O caso “Midas” representa um dos maiores escândalos de corrupção na Ucrânia desde o início da invasão russa e se tornou um teste para o combate ao crime organizado no país, que busca consolidar reformas como parte de sua aspirante adesão à União Europeia. Além de Galushchenko, outros envolvidos, incluindo figuras próximas ao presidente Volodymyr Zelensky, estão sob investigação ou já renunciaram, ampliando as pressões internas e externas sobre o governo.
A prisão na fronteira foi possível graças à cooperação entre o NABU e a Specialized Anti-Corruption Prosecutor’s Office (SAPO), que emitiram solicitações às autoridades de fronteira para interceptar o ex-ministro antes de sua saída do país, segundo reportagens locais.
O episódio reacendeu questionamentos sobre a eficácia das instituições ucranianas no combate à corrupção e a necessidade de transparência em setores estratégicos, especialmente em um momento em que a Ucrânia depende de apoio internacional para sua recuperação e segurança.
“Hoje durante a travessia da fronteira estatal, detetives do NABU detiveram o ex-ministro de energia no âmbito do caso ‘Midas’”, afirmou o órgão anticorrupção em comunicado oficial divulgado no domingo.


