O político venezuelano Juan Pablo Guanipa, figura histórica da oposição ao governo de Nicolás Maduro e aliado próximo da líder María Corina Machado, foi colocado sob prisão domiciliar nesta terça-feira (10), dois dias após ter recuperado a liberdade, conforme informaram familiares. A movimentação ocorre em meio a um processo tenso de liberação de presos políticos no país, que enfrenta forte pressão interna e externa para reformar sua política de detenções.
Guanipa, que havia passado mais de oito meses detido sob acusações que ele e apoiadores classificam como motivadas politicamente, foi solto no domingo (8). No entanto, em menos de 12 horas a medida de liberdade provisória foi revogada e ele voltou a estar sob alguma forma de custódia.
Liberdade breve e nova detenção
O retorno à prisão ocorreu após uma sequência de acontecimentos confusos e controversos em Caracas. Familiares de Guanipa relataram que, após sua libertação, ele participou de um evento com apoiadores e, já na madrugada seguinte, foi novamente detido por forças do Estado ou por grupos armados não identificados, segundo relatos da oposição.
“Mi papá sigue injustamente preso, porque casa por cárcel sigue siendo prisión, y exigimos su libertad plena y la de todos los presos políticos”, escreveu o filho de Guanipa nas redes sociais, ao confirmar que o pai está em residência na cidade de Maracaibo, sob prisão domiciliar.

Antes da confirmação da nova condição legal, a líder opositora María Corina Machado publicou mensagens denunciando o suposto sequestro de Guanipa por homens “fortemente armados” e exigindo sua libertação imediata.
Governo alega descumprimento de condições
O Ministério Público venezuelano e a Procuradoria Geral afirmaram, por meio de comunicados oficiais, que solicitaram à Justiça a revogação da liberdade provisória de Guanipa alegando que ele teria violado as condições impostas para sua soltura — sem, contudo, divulgar detalhes específicos sobre o suposto descumprimento. A mesma nota indicou que ele poderia cumprir uma nova medida restritiva, como a prisão domiciliar, para resguardar o andamento do processo legal.
Enquanto isso, familiares afirmam que não receberam informações oficiais sobre as circunstâncias exatas de sua detenção ou sobre seu paradeiro antes de sua colocação em prisão domiciliar.
Contexto político e liberação de detidos
A soltura inicial de Guanipa no domingo fez parte de uma série de liberações de presos políticos promovidas pelo governo interino, liderado pela presidente Delcy Rodríguez, após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro. O movimento de libertação — que incluiu dezenas de opositores — foi visto como um gesto de abertura política, embora tenha sido ofuscado pelos eventos que culminaram na detenção novamente de Guanipa.
Organizações internacionais de direitos humanos e grupos de oposição seguem atentos à situação dos detidos na Venezuela, considerando que muitos foram presos sob acusações relacionadas à política e expressões contrárias ao regime. Guanipa, que já ocupou cargo de governador e de vice-presidente da Assembleia Nacional, continua sendo uma figura central nesse debate sobre liberdade política e Estado de direito no país.


