O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de outubro de 2026, afirmou que não pretende reagir publicamente à aproximação de partidos do Centrão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de percepções de que a estratégia de Lula visa isolar sua campanha. Ao mesmo tempo, o parlamentar intensificou sua ofensiva verbal contra o governo brasileiro e líderes internacionais em uma entrevista concedida a uma emissora francesa na última segunda-feira (9).
Cenário político doméstico e articulações no Congresso
Nos últimos meses, o Centrão — bloco que reúne partidos como PP, União Brasil e Republicanos — tem mostrado resistência à ideia de apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, apesar de sua tentativa de consolidar uma base de apoio ampla dentro da direita. Em dezembro de 2025, líderes do grupo demonstraram contrariedade com a nomeação do senador como representante da chapa bolsonarista, chegando a cogitar alternativas ou até neutralidade política na disputa presidencial.
Analistas políticos destacam que a aproximação de Lula com integrantes do Centrão tem objetivos claros: reduzir o tempo de propaganda eleitoral do principal adversário no rádio e na TV e facilitar alianças estaduais que possam fortalecer sua campanha à reeleição. Em paralelo, o presidente petista busca atrair o MDB para sua coligação ou obter neutralidade formal dos líderes do bloco de centro-direita, à medida que tenta consolidar uma frente ampla para as eleições.
Apesar dessas movimentações, Bolsonaro tem optado por uma postura mais contida quando questionado sobre as articulações do Centrão, evitando confrontos públicos diretos com essas legendas no momento. O senador prefere manter foco em críticas políticas ao governo federal e discursos ideológicos, segundo interlocutores próximos à sua campanha.
Polêmica entrevista na televisão francesa
Em meio a esses movimentos internos, Flávio Bolsonaro protagonizou uma entrevista polêmica a uma emissora francesa — a CNews — na qual atacou não apenas o presidente Lula, mas também o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.
“Assim como a França não aguenta um governo de extrema incompetência, como o de Macron”, disse Bolsonaro, numa referência ao mandatário francês e às visitas diplomáticas de Macron ao Brasil.
Na mesma entrevista, o senador afirmou que o Brasil “não aguenta” mais um governo de “extrema esquerda” sob Lula e criticou a forma como Macron aborda a conservação da Amazônia, acusando o presidente francês de apenas “tirar foto” durante suas visitas ao bioma.
Essas declarações foram transmitidas em horário nobre na França e podem ter impacto diplomático e político, especialmente porque envolvem críticas diretas a um líder europeu e a instituições brasileiras. Observadores ressaltam que ataques desse tipo em mídia estrangeira são raros para parlamentares brasileiros e podem alimentar reações tanto no Congresso quanto no Itamaraty.
Flávio Bolsonaro concedeu entrevista a uma TV da França — Reprodução/CNews
Repercussões internacionais e campanha eleitoral
A entrevista também representou um movimento de Flávio no exterior como parte de sua estratégia de campanha. O senador tem buscado engajamento com figuras conservadoras em eventos internacionais — incluindo encontros com políticos europeus alinhados à direita — como forma de consolidar uma imagem de liderança da oposição global ao que ele classifica como tendências de governo de esquerda.
Internamente, a candidatura de Bolsonaro enfrenta desafios para unificar o apoio dentro do PL e de aliados históricos, enquanto Lula concentra esforços para ampliar sua base de apoio e neutralizar adversários que possam ganhar força contra a reeleição.


