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Diplomacia

há 4 meses

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Brincando, Lula diz que se Trump soubesse de seu 'parentesco com Lampião' não provocaria o Brasil

Presidente diz evitar confronto com os EUA e defende o multilateralismo; encontro com Trump está previsto para março, em Washington

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9), em tom de brincadeira, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não provocaria o Brasil caso soubesse de seu “parentesco com Lampião”. A declaração foi feita durante uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo.

Ao comentar a relação entre os dois países, Lula disse que não pretende entrar em confronto com o norte-americano e ironizou o risco de uma eventual vitória brasileira em uma disputa.

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“Quando eu viajar [para os EUA], eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe? Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, afirmou.

Defesa do multilateralismo

Na sequência, o presidente reforçou que a estratégia do Brasil no cenário internacional é apostar no diálogo e na defesa do multilateralismo como eixo central da política externa.

“Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer? Então, a briga do Brasil é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, declarou.

Lula também destacou que o sistema multilateral foi essencial para garantir estabilidade internacional após a Segunda Guerra Mundial e criticou visões unilaterais nas relações entre Estados.

“Nós precisamos provar, num debate político, que foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou uma harmonia entre os Estados, e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos numa parte do mundo. O unilateralismo imposto pela teoria que de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós, não interessa”, completou.

Encontro com Trump e agenda internacional

Lula e Trump conversaram por telefone em 26 de janeiro e acertaram um encontro presencial em Washington, previsto para março. O presidente brasileiro afirmou que a reunião será “olho no olho”.

A visita ocorre em meio a negociações sobre cooperação bilateral, com foco especial na segurança pública. O governo brasileiro tem interesse em ampliar parcerias nas áreas de combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, no congelamento de ativos de organizações criminosas e no intercâmbio de informações financeiras.

Segundo o Palácio do Planalto, a proposta foi bem recebida pelo governo norte-americano. A expectativa também é de que Lula aproveite o encontro para reforçar o pedido histórico de reforma do Conselho de Segurança da ONU, defendido desde seu primeiro mandato.

O presidente ainda não respondeu formalmente ao convite para integrar o Conselho da Paz proposto por Trump. O Brasil, no entanto, condiciona a participação a mudanças, como a limitação do escopo à crise de Gaza e a inclusão da Palestina, avaliando que o formato atual poderia funcionar como uma espécie de “ONU alternativa”.

Agenda no Instituto Butantan

Durante o evento no Instituto Butantan, Lula anunciou investimentos para ampliar a infraestrutura da instituição e aumentar a capacidade nacional de produção de vacinas e insumos imunobiológicos. O plano inclui a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) para vacinas como DTPa (difteria, tétano e coqueluche) e HPV.

O pacote prevê investimento total de R$ 1,4 bilhão e tem como objetivo reduzir a dependência de importações. Também foi anunciado o início da vacinação contra a dengue para profissionais da Atenção Primária do SUS, com base em uma vacina 100% nacional desenvolvida pelo Butantan.

Em ano eleitoral, Lula tem utilizado agendas na área da saúde para reforçar críticas à condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, destacando a defesa da ciência, da vacinação e do fortalecimento do SUS.

Além do presidente, participaram da cerimônia o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também fez críticas à política antivacina de Trump e afirmou que a resposta brasileira será ampliar investimentos em saúde.

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