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Ex-presidente

há 5 meses

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Bolsonaro diz que "Papudinha" é melhor que anterior detenção; laudo da PF aponta saúde estável

Relatório médico entregue ao STF mostra rotina do ex-presidente em unidade prisional e conclui que, apesar de comorbidades, não há necessidade de transferência para hospital, segundo a PF

O laudo médico produzido pela Polícia Federal e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (6) traz detalhes da condição física do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua avaliação pessoal sobre as condições de detenção na unidade do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda — apelidada de “Papudinha”. O relatório conclui que Bolsonaro pode continuar cumprindo sua pena no local, embora reconheça a necessidade de acompanhamento clínico próximo.

Quadro clínico estável, mas com múltiplas comorbidades

Ao longo de uma perícia detalhada, os médicos da PF identificaram que Bolsonaro é portador de diversas doenças crônicas, como hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia obstrutiva do sono em grau grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais decorrentes de cirurgias anteriores.

Alems

De acordo com o documento, “tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”, desde que o acompanhamento médico e as adaptações recomendadas sejam mantidos.

A perícia apontou riscos relacionados ao uso conjunto de múltiplos medicamentos — a chamada polifarmácia — que pode provocar sedação excessiva e aumentar o risco de quedas, como a que Bolsonaro sofreu recentemente na cela da PF antes de ser transferido à Papudinha.

Rotina na Papudinha e avaliação pessoal de Bolsonaro

No relatório, o ex-presidente descreve sua rotina diária na unidade prisional, que inclui caminhadas orientadas de aproximadamente 1 km sob escolta, leitura e momentos de descanso. Ele afirmou ter uma boa qualidade de sono e não se incomodar com ruídos no local.

Bolsonaro também fez uma comparação direta com a detenção anterior na Superintendência da Polícia Federal, afirmando que a Papudinha oferece condições superiores:

“Desde que fui transferido, percebi uma melhora nas condições de detenção, com maior espaço de circulação e ambiente mais adequado para minhas necessidades.”

O laudo menciona ainda que ele recebe dieta especial, controle de pressão arterial e acompanhamento clínico regular. As refeições principais são trazidas por familiares, conforme registrado no documento.

Sem necessidade de hospital ou prisão domiciliar, diz laudo

A conclusão dos peritos foi clara: não há, neste momento, necessidade de transferir Bolsonaro para atendimento hospitalar ou concessão de prisão domiciliar humanitária. Isso coloca obstáculos ao pedido da defesa, que havia alegado piora do estado de saúde e solicitado mudança para casa.

Apesar da estabilidade geral do quadro clínico, o relatório recomenda ajustes estruturais na Papudinha — como instalação de grades de apoio, campainhas de emergência, acompanhamento nutricional e fisioterapia contínua — para mitigar riscos e melhorar a segurança do custodiado.

Contexto e próximos passos

Esse laudo chega em um momento de forte debate jurídico e político envolvendo a prisão de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A defesa tem insistido na deterioração da saúde do ex-presidente para justificar uma mudança na forma de cumprimento da pena.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, agora deve avaliar o relatório e decidir sobre os pedidos apresentados pela defesa e pela Procuradoria-Geral da República nos próximos dias, em trâmite determinado pela mais alta corte do país.

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