O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, esteve em Campo Grande nesta quinta-feira (5) para participar da 4ª edição do programa “Governo do Brasil na Rua”, realizada no Parque Lageado. Durante a visita, ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve ir a Mato Grosso do Sul neste ano, em razão de compromissos internacionais previstos para os próximos meses.
O evento integrou uma agenda voltada à aproximação do governo federal com comunidades periféricas e contou com a oferta de serviços públicos gratuitos à população.
Governo fora dos gabinetes
Ao falar com a imprensa, Boulos destacou que a iniciativa segue uma orientação direta do Palácio do Planalto para ampliar a presença do Executivo em regiões historicamente menos atendidas.
“Tudo aqui, perto das pessoas, com o pé no barro. Essa é a ideia, foi isso que o presidente Lula pediu para a gente fazer e nós estamos tirando do papel”, afirmou.
Segundo o ministro, a escolha do Parque Lageado não foi casual e buscou romper com o roteiro tradicional de visitas oficiais.
“A missão que ele [Lula] me deu é: rode o Brasil, vá às periferias. Quando vai para Campo Grande, não vai só para a Praça Central da cidade, onde todo mundo passa e tira foto. Vá para as periferias, converse com o povo.”
Serviços e entraves no acesso a benefícios
Durante a passagem pela capital sul-mato-grossense, Boulos também comentou dificuldades enfrentadas por parte da população no acesso a políticas sociais, especialmente relacionadas ao INSS e ao programa Pé de Meia. Ele citou falhas de informação e problemas cadastrais como fatores que levam à perda ou à suspensão de benefícios.
“Tem um monte de gente que tem direito ao Pé de Meia, que os filhos já podiam estar recebendo (...) mas a pessoa não se cadastrou, a pessoa não tinha informação adequada. (...) E o INSS? Quanta gente tem o seu BPC, o seu benefício cortado, por que não foi atualizado o CRAS? Eu já vi milhares de casos assim”, disse.
Agenda internacional e segurança pública
Boulos confirmou que Lula deve viajar aos Estados Unidos em março, o que, segundo ele, inviabiliza uma visita presidencial a Mato Grosso do Sul neste período. O encontro com o presidente norte-americano Donald Trump teria como um dos focos a cooperação no combate ao crime organizado.
“Agora, em março, ele vai ter que conversar com o Trump lá nos Estados Unidos. (...) O presidente vai, em março, conversar com o Trump para tratar do tema do combate ao crime organizado, até porque tem muita gente condenada por crime organizado e crime financeiro aqui no Brasil que está lá em Miami. Então, se, de fato, o presidente Trump está preocupado com isso, que extradite essas pessoas para serem presas aqui no Brasil. Porque eles não estão em Miami presos. Estão em Miami em casa de veraneio.”
Defesa de Tebet e cenário eleitoral
Questionado sobre articulações para as eleições de 2026, o ministro saiu em defesa da ministra Simone Tebet, que é cotada para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. Boulos rebateu críticas de adversários políticos quanto à origem da parlamentar.
“Eu achei muito engraçado ver gente da direita falando: 'ah, mas a Simone não pode ir para São Paulo porque ela não é de São Paulo'. O Tarcísio, que é o governador deles, era do Rio de Janeiro, não sabia nem onde votar, não sabia nem em que casa que ele entrava, e o cara virou governador de São Paulo. A gente não tem autoridade para dizer isso.”
Ele negou que o projeto “Governo do Brasil na Rua” tenha caráter eleitoral, embora tenha reconhecido que a agenda será interrompida em julho, em respeito à legislação.
Ao ser provocado sobre uma eventual sucessão presidencial, Boulos desconversou e afirmou que Lula seguirá como candidato à reeleição.
“Rapaz, como é que você vai falar em sucessão de um homem que, apesar de ter 80 anos, é o presidente, vai ser presidente de novo pela quarta vez, vai bater o recorde, vai ser tetra na eleição desse ano, e que está com uma saúde perfeita, arrebentando, estourando a boca do balão.”
O atendimento ao público no CEU das Artes do Parque Lageado segue até as 18h, com vacinação, emissão de documentos e serviços do INSS.


