Um encontro com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, selou a decisão de ao menos sete deputados estaduais do PSDB e do Cidadania de deixar suas legendas de origem e ingressar no partido. A reunião ocorreu na manhã desta quinta-feira (5), na residência de Kassab, que também ocupa o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo.
Atualmente, a federação PSDB-Cidadania conta com oito deputados tucanos e três do Cidadania na Assembleia Legislativa paulista. Com a mudança, a bancada será reduzida de forma significativa.
Quem são os parlamentares que vão mudar de partido
Pelo PSDB, anunciaram a saída os deputados Rogério Nogueira, Carlão Pignatari, Barros Munhoz, Analice Fernandes, Maria Lúcia Amary e Mauro Bragato. Do Cidadania, a migração confirmada é a do deputado Dirceu Dalben.
Após o encontro, Kassab divulgou uma foto com os parlamentares em uma rede social e celebrou a adesão ao partido. Segundo ele, “recebeu uma ótima notícia de sete grandes quadros da política paulista” com a decisão de filiação. O dirigente acrescentou: “Estaremos juntos, trabalhando por um PSD cada vez mais forte, com lideranças qualificadas e sucesso eleitoral em outubro. Sejam bem-vindos! Todos cada vez mais entusiasmados com a extraordinária gestão do nosso governador Tarcísio de Freitas e firmes no seu projeto de reeleição nesta eleição de 2026.”
De acordo com relatos de participantes da reunião, as conversas sobre a troca de legenda vinham ocorrendo de forma individual nos últimos meses.
Impacto na federação e próximos passos
Com as saídas, o PSDB ficará representado na Assembleia Legislativa apenas pelas deputadas Bruna Furlan e Carla Morando. Já no Cidadania, permanecem Ana Carolina Serra e Ortiz Junior.
No início da atual legislatura, a federação contava com 12 parlamentares — nove do PSDB e três do Cidadania. A filiação oficial dos deputados ao PSD está prevista para o dia 4 de março, na sede do partido, na capital paulista.
O movimento amplia a presença do PSD no cenário estadual e nacional. Em janeiro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também anunciou sua filiação à legenda. Atualmente, o partido reúne três governadores apontados como pré-candidatos à Presidência da República — além de Caiado, Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) — e soma seis governadores no total, incluindo Marcos Rocha, de Rondônia.
Reações e cenário político
Nas eleições municipais de 2024, o PSD foi a sigla que mais elegeu prefeitos em São Paulo, com 206 administrações conquistadas. O partido também ocupa posições estratégicas no governo estadual, como a vice-governadoria, com Felício Ramuth, e tende a manter a vaga de vice na chapa do governador Tarcísio de Freitas, apesar das articulações do PL.
O PSDB, por outro lado, enfrenta um período de esvaziamento em São Paulo e não conseguiu eleger vereadores nas últimas eleições municipais. À GloboNews, o presidente estadual do partido, Paulo Serra, afirmou ter tomado conhecimento da saída dos deputados por meio de uma publicação em rede social e criticou duramente a decisão.
“Isso é um canibalismo predatório dentro de uma mesma raia política que pode inviabilizar muitos mandatos”, declarou.
Apesar das perdas, a direção tucana afirma que trabalha para atrair ao menos três novos parlamentares visando a disputa eleitoral de 2026.


